O clipe da música "Que tiro foi esse?" lançado na plataforma virtual YouTube no dia 29/12/2017 já acumula mais de 7 milhões de visualizações. Além disso o recente hit espalha-se através de vídeos postados por inúmeros usuários de redes sociais em uma brincadeira que tornou-se a atual epidemia da Internet, a tal brincadeira consiste em uma pessoa que está caminhando normalmente cair no momento da sonoplastia de tiro da música para em seguida levantar-se normalmente e colocar-se de maneira arrojada, dançando ao embalo da música ou dando continuidade a caminhada.

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Até mesmo famosos como Tirulipa e a funkeira Anitta entraram na brincadeira. Tudo leva a crer que a música da funkeira cheia de atitude será a mais tocada do Carnaval 2018 por todo o país.

Com linguagem coloquial e descontraída, jargões típicos da Internet e gírias populares no meio LGBT a música de Jojo Toddynho mostra que a funkeira está antenada nas tendências contemporâneas.

Jojo Toddynho, além de irreverente, é cheia de atitude e autoestima e seu sucesso vem mostrar que cada vez mais a propensão da sociedade é libertar-se das ditaduras de padrões do corpo feminino, tal como de outros padrões hipócritas e/ou elitistas.

A mais atual diva do funk é uma mulher negra criada no subúrbio, mede 1,50 m e pesa 90 quilos.

A trajetória de sucesso, apesar de recente apresenta semelhanças à trajetória da drag queen Pabllo Vittar com o hit "Todo dia". Inicialmente a viralização na internet, a popularização no âmbito LGBT, depois disso a música torna-se um hino de carnaval. A partir de então segue-se a popularidade contígua.

Jojo Toddynho mostra-se uma mulher firme e de cabeça erguida disposta a responder com traquejo a qualquer tipo de crítica advinda de padrões ou preconceitos que possa vir a atingi-la.

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Assim como uma outra funkeira plus size, a MC Carol.

Somos uma sociedade patriarcal e apresentamos os vestígios de uma história de colônia explorada por um país que impôs padrões religiosos e escravocratas. Que cada vez mais consigamos soltar correntes. Que cada vez mais os ritmos que ouvimos e dançamos sejam produzidos por homossexuais, por mulheres negras que conhecem as dificuldades de depender dos serviços de transporte coletivo ou serviços públicos brasileiros. Que tenhamos como referência de beleza e amor próprio mulheres que não seguem padrões de beleza que cada vez mais tornarão-se retrógrados.