O ator Morgan Freeman, de 80 anos, foi acusado de assédio sexual por oito mulheres. As acusações foram publicadas em uma reportagem especial publicada na última quinta-feira (24) pela rede CNN. Além do relato das mulheres, a reportagem traz relatos de pessoas que testemunharam as cenas de assédio praticadas pelo astro de Hollywood ao longo de sua prestigiada carreira.

No set

Quatro pessoas que trabalharam em sets de filmagem com Freeman nos últimos dez anos descreveram-no como um homem de comportamento estranho, que fazia coisas que deixavam as mulheres se sentirem desconfortáveis ​​no trabalho. Porém, elas disseram que não denunciaram o comportamento de Freeman, porque temiam por seus empregos.

Em vez disso, algumas das mulheres - tanto em sets de filmagens quanto em Revelations - disseram que descobriram maneiras de combater o suposto assédio por conta própria, mudando a maneira como se vestiam quando sabiam que ele estaria por perto.

Uma jovem assistente de produção contou que viveu dias terríveis em 2015, quando viu seu emprego dos sonhos se transformando em um pesadelo: ela teve que suportar vários meses de assédio enquanto trabalhava na comédia “Despedida em Grande Estilo”, estrelada por Freeman, Michael Caine e Alan Arkin.

Ela alega que Freeman frequentemente tocava suas costas de maneira inconveniente, e comentava sobre suas roupas e seu corpo. Uma vez, Freeman tentou, sem sucesso, levantar sua saia e perguntou se a moça estava usando calcinha. "Um dia, Alan [Arkin] fez um comentário dizendo-lhe para parar de me tocar, Morgan ficou apavorado e não soube o que dizer", contou a moça a CNN.

A assistente disse ainda que estava com 20 e poucos anos quando Freeman, então com 78 anos, a assediava e que a experiência determinou sua decisão de deixar a indústria cinematográfica.

Mas o repugnante comportamento de Freeman não se limitou a esse set de filmagem, de acordo com outras fontes que falaram com a CNN. Uma mulher que era membro sênior da equipe de produção do filme "Truque de Mestre", de 2012, disse à CNN que Freeman assediava sexualmente a ela e a sua estagiária em várias ocasiões, fazendo comentários sobre seus corpos. "Ele comentava sobre nossos corpos de forma inadequada ... Quando sabíamos que ele iria vir ... não usávamos nenhuma blusa com decote, e preferíamos usar calça", disse ela.

Um ex-funcionário que testemunhou várias cenas de assédio por parte de Morgan Freeman conversou com a CNN: "Ele fazia comentários vulgares e sexuais sobre as mulheres", disse o homem que não teve a identidade revelada. "Ele era verbalmente inadequado e chocante. Você fica mais chocado do que qualquer coisa porque é difícil ter os meios para dizer a ele: 'Isso é inapropriado'.

É difícil porque em qualquer grupo ele é a pessoa mais poderosa. É chocante porque você não espera isso de Morgan Freeman, alguém que você respeita”, continuou.

No escritório Revelations Entertainment

Uma outra ex-funcionária de Freeman na “Revelations” disse que ele tinha o costume de ir até à mesa dela para dizer ‘oi’ e ficava por lá, olhando fixamente para os seus seios. “Uma vez eu testemunhei Morgan ir até uma estagiária e começar a massagear seu ombro. A estagiária ficou visivelmente vermelha e se soltou das mãos dele, foi estranho“, recordou um ex-funcionário da produtora, comparando o comportamento de Morgan ao de um “tio assustador“. Por fim, rapazes que ainda trabalham no local confirmaram que, em várias ocasiões, o patrão pedia para que as mulheres “dessem uma voltinha para ele“.

Cinco fontes disseram à CNN que não havia departamento formal de recursos humanos na Revelations na época. Houve uma rotação de executivos que serviram como ponto de contato para questões de RH, mas ex-funcionários disseram que não se sentiam à vontade para conversar com o pessoal sênior sobre suas queixas no local de trabalho. Isso levou alguns funcionários a formarem um "clube de sobreviventes", onde se reuniam para divulgar suas experiências no Revelations.

Com repórteres

As acusações de comportamento inadequado por Freeman não estão limitadas a sua empresa ou aos sets de filmagem. Três repórteres de entretenimento também disseram que Freeman fez comentários impróprios durante coletivas de imprensa. A fixação de Freeman em como as mulheres se vestiam era aparente quando ele pegava a estrada para promover seus filmes, era comum ele olhar mulheres de cima a baixo enquanto fazia comentários sexualmente sugestivos para elas.

Uma repórter da CNN, Chloe Melas, co-autora da reportagem que acusa o ator, diz que foi submetida a comentários constrangedores vindas de Freeman há mais de um ano, quando ela o entrevistou em coletiva de imprensa. De acordo com Melas, que estava grávida de seis meses na época, Freeman, em uma sala cheia de pessoas, incluindo seus colegas Arkin e Caine, apertou sua mão, não soltando enquanto a olhava para cima e para baixo repetidamente e dizendo mais que uma vez uma variação de "eu queria estar lá". Câmeras estavam gravando durante um dos comentários de Freeman para Melas - "Rapaz, eu gostaria de estar lá".

Após o encontro com Freeman, Melas começou a fazer ligações para ver se outras mulheres haviam experimentado algo parecido, ou se era um incidente isolado. Ela logo descobriu que outras mulheres tinham histórias parecidas - e assim, ela e sua co-autora, iniciaram o processo de investigação jornalística que deu origem à reportagem.

Uma outra repórter, que é membro da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, disse que Freeman fez comentários sobre sua saia e suas pernas durante dois encontros diferentes. A jornalista disse que a fama e o poder de Freeman a impediam de falar na época do ocorrido.

Morgan pediu desculpas

A CNN entrou em contato com o porta-voz de Freeman para comentar e depois, a seu pedido, enviou-lhe via e-mail uma lista detalhada das acusações contra Freeman. O porta-voz não respondeu o e-mail, porém, depois que a reportagem foi publicada, Freeman divulgou uma declaração na qual ele disse: "Qualquer um que me conhece ou trabalhou comigo sabe que eu não sou alguém que ofenderia intencionalmente ou conscientemente deixaria alguém desconfortável. Peço desculpas a qualquer um que se sentisse desconfortável ou desrespeitado. - essa nunca foi minha intenção."

Morgan Freeman

Aos 80 anos de idade, Morgan Freeman é uma das maiores estrelas de Hollywood, com uma carreira cinematográfica que abrange quase cinco décadas. Seus papéis principais em filmes como "Conduzindo Miss Daisy" e "Um Sonho de Liberdade" no final dos anos 80 e início dos anos 90 fizeram dele um nome familiar. Ele ganhou um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por "Menina de Ouro", de 2004, e recebeu outras quatro indicações ao Oscar.

Seu trabalho de narração também se tornou icônico, incluindo sua narração para os documentários ganhadores do Oscar "The Long Way Home" e "A Marcha dos Pinguins".

A CNN contatou dezenas de pessoas que trabalharam para ou com Freeman. Alguns o elogiaram, dizendo que nunca testemunharam nenhum comportamento questionável ou que ele era um profissional respeitado no set e no escritório, enquanto outros afirmaram que o ator frequentemente apresentava comportamento estranho em relação ás mulheres.

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