A última cena da vida de Beatriz Segall foi no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, vítima de problemas respiratórios. Aos 92 anos, a atriz não resistiu e morreu [VIDEO]no dia 5 de setembro de 2018. A confirmação veio de sua assessoria de imprensa.

O velório ocorreu no próprio hospital onde Beatriz ficou internada. Não houve enterro, porque o corpo foi cremado no dia seguinte (06/09).

No mês passado, Beatriz já havia ido ao Albert Einstein [VIDEO] com o mesmo problema, mas recebeu alta médica. Pouco antes desta primeira consulta no hospital paulista, a atriz enfrentou um quadro de pneumonia.

Sua saúde já mostrava certos sinais de fragilidade: no início de 2018, sofreu uma queda dentro do seu apartamento em São Paulo, onde morava.

Vida e carreira

Carioca nascida em 1926, Beatriz recebeu uma educação esmerada para os padrões do início do século XX. Recebeu aulas de costura, francês e piano. Foi ainda na escola que se interessou pelo teatro.

Na década de 1950, iniciou sua carreira artística, ao mesmo tempo que ganhou uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar na arte dos palcos em Paris.

Lá conheceu sua outra paixão, seu futuro marido, Maurício Segall, que, por sua vez era filho do pintor modernista, o lituano Lasar Segall. O casal teve três filhos.

Atuante no cinema e no teatro, Beatriz foi bem ativa na Televisão, contracenando em novelas como “Pai Herói” (1979), “Água Viva” (1980) e muito mais.

Entretanto, foi com uma das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira que Beatriz Segall conquistou a fama: Odete Roitman foi o maior ícone da novela “Vale Tudo” (1988), escrita por Gilberto Braga.

Logo após o assassinato da personagem, o Brasil inteiro se perguntava: “quem matou Odete Roitman?”. Ninguém queria perder um só capítulo até que obtivesse uma resposta.

Mais tarde, quando perguntada sobre o êxito de Odete, Beatriz Segall declarou que tamanho sucesso ofuscou as centenas de outras personagens que interpretou durante toda sua trajetória.

Seu derradeiro trabalho nos palcos foi na televisão, interpretando Yolanda, na série “Os Experientes”, da Rede Globo, há três anos.

Acompanhamento

Um dos filhos, Sérgio Segall, lamentou a perda da mãe e comentou durante a cerimônia do velório que Beatriz morreu tranquila, sem dor. Frisou que a saúde de Beatriz vinha apresentando debilidade.

Ao relembrar como foi a vida de Beatriz Segall, o filho mais velho declarou que ela viveu muito bem cada momento dos 92 anos e que entra para a história da dramaturgia brasileira como uma das maiores atrizes. Disse que ela foi grande incentivadora da cultura nacional, estando presente nas maiores peças teatrais escritas tanto no Brasil quanto nas internacionais.

Tanto Sérgio como amigos de profissão destacaram a presença de opinião da atriz, a qual nunca fugia de expressar o que pensava. Gostava do debate.

Antes de estudar teatro em Paris, Beatriz Segall já havia estado na França na década de 40, porém a contragosto dos pais, uma vez que tinha ganho uma bolsa de estudos. Após conseguir desempenhar o que se esperava de uma mulher nesse período, ou seja, ser mulher e esposa, Beatriz estava decidida a voltar ao trabalho artístico. Foi o que aconteceu.

Para Sérgio, o melhor legado que a mãe ensinou aos filhos foi o de coragem, o de quebra de barreiras e o de tomar posição frente às questões. Ele relembra que nem sempre ela era acompanhada em suas ideias. Mesmo que fossem pouco agradáveis ou impopulares, ela achava que era muito importante deixá-las registradas e ouvidas.