Fecham-se definitivamente as cortinas do palco para um dos maiores ícones do Teatro e da dramaturgia do Brasil.

Bibi Ferreira oficializou durante a semana que não trabalhará mais e comunicou a todos, fãs e imprensa, que se aposenta do tablado e das apresentações artísticas ao vivo.

A atriz de 96 anos fez um discreto comunicado em suas redes sociais. Ela não pretende atuar e nem cantar diante do público.

Depois de enfrentar problemas de saúde e ser internada três vezes no hospital, a “Pequena Grande” Bibi Ferreira abdicou de seu maior sonho: o de morrer em pleno palco do teatro.

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Chegou a afirmar isso quando tinha seus 90 anos de idade. Nessa época contava com grande vitalidade e energia, o que deixava a plateia boquiaberta. No entanto, ela admitia que, algumas vezes, tinha alguns lapsos de memória para seguir o roteiro do show. A “colinha” combinada vinha do maestro regente. Assim, a música seguia e o espetáculo deveria continuar.

Força e peso

Mesmo assim, Bibi Ferreira fazia turnês pelos quatro cantos do Brasil e não existiam sinais de esgotamento ou de cansaço quando adentrou aos 90 anos.

Com muita força interior, não resistiu ao peso da velhice: chegou a dizer em alto e bom som que já não caminhava com as próprias pernas para alcançar o ponto do microfone. Inversamente o que ocorria com a sua voz: parecia a de uma garotinha.

Bibi sentia que tinha fôlego para encarar mais uma montagem musical; estava ensaiando com a orquestra um espetáculo baseado nas canções de Dorival Caymmi. Porém, num dos ensaios reconheceu que isso não iria para frente, declarando isso a todos os músicos e equipe da montagem.

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Era o sinal de que havia dado o melhor de si pela arte, pelo teatro, pela música. Uma artista versátil que caminhou com total desembaraço nas várias artes em que se aventurou. O resultado de seus desempenhos chegava quase sempre ao brilhantismo.

Filha de outro ‘monstro’ sagrado das artes cênicas, Procópio Ferreira, Bibi Ferreira certamente herdou do pai todas as qualidades requeridas que um palco exige. No ano de 2010, recebeu o ator Jones Schneider para colher seu depoimento acerca de Procópio Ferreira para o projeto “Mitos do Teatro Brasileiro”.

Nessa entrevista, foi incrível perceber duas Bibis: a que sentia o peso do corpo, caminhando em passos calculados e vagarosos. E a outra, que ressurgiu de sua alma quando gritaram “gravando”, sorrindo rejuvenescida, como num passe de mágica.

Sobre seus hábitos, Bibi é modesta e econômica; certa vez disse que sempre poupava suas energias, falava pouco e sua voz era entonação baixa regularmente. Andava devagar, mascava uma jujuba e fazia questão de uma Coca-Cola.

Mas, segundo um colunista, Bibi não se recolherá totalmente.

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Só dos palcos. O público, em breve, poderá apreciar a voz de garotinha num futuro lançamento de um disco dedicado ao cantor americano Frank Sinatra. Essa é a outra Bibi Ferreira.