Entre os municípios brasileiros onde foram observados maiores índices de suicídios na população local, cerca de 33,3% (São Gabriel da Cachoeira, AM) a 100% (Tacuru, MS) dos casos foram de criançase jovens indígenas entre 10 e 19 anos de idade.

Os dados se referem ao ano de 2013 e constam do Relatório Violência Letal Contra as Crianças e Adolescentes do Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que considerou verdadeira situação pandêmica de suicídios de jovens indígenas.

São Gabriel da Cachoeira, Benjamin Constant e Tabatinga, no Amazonas, assim como Amambaí e Dourados, no Mato Grosso do Sul são os municípios que lideram o ranking da mortalidade por suicídio no Brasil. Estes são, justamente, locais de assentamentos indígenas numerosos.

Uma mesa-redonda, promovida pelo Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), discutiu o tema no último dia 29 (quarta-feira) entreantropólogos com experiências junto aosgrupos indígenas da região do Médio Purus, dos Andes, do Alto Rio Negro e do Equador.

Segundo a antropóloga do Museu Nacional (RJ), Luisa Belaúnde, citada pelo Portal Amazônia, referindo-se aos suicídios de jovens índios, "as causas podem ser o alcoolismo, a presença de missionários e a desintegração familiar, mas isso tudo acontece em um pano de fundo de perda de território e direitos".

De acordo com o Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as populações indígenas no Brasil somam 817.963 indivíduos vivendo em áreas rural e urbana.

Estes dados são cruzados com os daSecretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, que alimenta e administra o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e registra, entre outras causas de morte, os suicídios ocorridos no Brasil.

Os índices de suicídio observados entre crianças e adolescentes da população brasileira no total são relativamente baixos, quando comparados com outros 89 países onde se faz o monitoramento: 53ª posição (entre 10 e 19 anos), segundo o relatório da Flacso.

No entanto, o que chamou a atenção dos pesquisadores nos números obtidos foi a concentração observada nos municípios de assentamentos indígenas.

O relatório aponta, ainda, que "os trabalhos antropológicos existentes, mostram que as tentativas de suicídio são recorrentes nos povos Awajún (Peru), Guarani (Dourados, MS) e Embera (Colômbia) e que a frequência dos suicídios juvenis cresceu nos últimos anos. Pese a gravidade da situação, ainda não se realizou pesquisa mais profunda, não existe informação suficiente, nem dados estatísticos confiáveis".

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