Em 1976, um fato inesperado acabou marcando a história da Rede Globo. Isso porque, no dia 7 de junho daquele ano estreava na emissora a novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz.

Contudo, o público que assistia à estreia da novela não entendeu muito bem o seu primeiro capítulo, e depois de inúmeras reclamações com a emissora da dificuldade em entender o capítulo que ficou um tanto complexo para o que já se estava acostumado na época, a emissora decidiu que iria exibir novamente o capítulo de estreia da complexa trama no horário das 23h, para que o público pudesse novamente acompanhar a história que gerou tantas dúvidas.

O problema foi a forma que a história da novela foi estruturada que a tornou complexa para o público, que não estava ainda acostumado com as novas experimentações da época.

Nesta época, a emissora estava passando por muitas experiências com as Novelas que iam ao ar para tentar mudar um pouco a forma como elas eram estruturadas, a fim de promover uma diversificada. Como, por exemplo, em 1974, com “O Rebu”, que a história inteira se passava em um único dia. Por isso, a emissora resolveu investir mais em inovações para a época com esta trama.

História de 'O Casarão'

A história conta a respeito da vida do cafeicultor Deodato Leme (Oswaldo Loureiro), e acontecia em três tempos diferentes, e, com isso, também atores diferentes eram usados para viver os mesmos personagens em épocas distintas, que eram apresentados para o público de forma simultânea.

O primeiro momento da trama era em 1900 a 1910, a fase seguinte entre 1926 e 1936 e a última fase se passava quarenta anos depois, em 1976. E, inclusive, todas elas foram mostradas logo de cara, o que gerou uma confusão tremenda no público, que esperava uma história corrida com o passar do tempo ‘mais lento’ e que não se seguia por tantos anos desta forma.

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Todas as fases da trama, no entanto, eram marcadas pela presença do casarão que pertencia à família principal, e que dava nome à obra.

O casarão era também um personagem central, visto que ele se fazia presente a todo momento nas distintas fases demonstrando como a vida da família que vivia no lugar foi mudando com a passagem das fases.

Com isso, a residência em questão precisou ser mostrada pela emissora em suas três fases distintas, com fachadas diferentes, em seu início, no auge e quando chegou em sua decadência e acabou sendo totalmente destruído para dar lugar para uma ferrovia.

As cenas do casarão poderiam ser gravadas em um só dia, mostrando os tempos diferentes.

Na época, o diretor Daniel Filho deu uma entrevista para o “Jornal do Brasil”, na qual falou a respeito das fases da novela, e comentou que o tempo mais duradouro seria na fase atual da trama, e que o primeiro momento na qual a família era apresentada ocuparia muito pouco na tela, e que não seria usado o processo de flashback para mostrar momentos que passaram.

Na época, o diretor destacou que iriam usar do primeiro capítulo para apresentar para o público de uma vez todas as fases da trama.

Na mesma entrevista, no entanto, o autor da novela previa que o público pudesse ter alguma dificuldade para poder entender o enredo. Ele contou, à época, que um objeto que fosse novo na primeira fase da trama, estaria em uso ainda na segunda, mas será mostrado deixado de lado já em um canto da casa na última fase.

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