Alguns cartazes foram afixados e expostos no pátio de uma Escola em Vila Velha, no Espirito Santo, e causaram discussão nas redes sociais após a sua divulgação, na última terça-feira, dia 19. De acordo com os alunos, tais cartazes foram confeccionados como parte de um trabalho escolar com a temática do mês da mulher. Porém, o que era para ser um projeto de conscientização, acabou se transformando em discussão.

Contando com dizeres como “Aprenda a se vestir, se comportar e dar limites”, os cartazes afixados na Escola Estadual Padre Umberto Paciente, localizado no bairro Alecrim, acabaram por atingir o efeito oposto do esperado. Segundo uma aluna, o trabalho foi proposto por uma professora de história. O eixo temático dizia que a “valorização da mulher começa pela mulher” e trazia sugestões como vestuário e comportamento.

Trabalhos culpam mulheres por violência no dia a dia

O exercício acabou incentivando os alunos a apresentarem pontos de vista que culpabilizam as mulheres pelas violências sofridas cotidianamente. Um exemplo claro disso foi um cartaz que trazia a foto de Jane Cherubim, uma moça que foi agredida e abandonada em uma estrada pelo namorado. Ao lado da foto da jovem, lia-se que as mulheres precisam aprender a agir de maneira menos vulgar e a respeitar os seus corpos, assim como ter consciência ao escolher um parceiro adequado, uma vez que elas se envolvem com pessoas que não conhecem e isso acaba gerando a situação vivenciada por Jane.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Escola

Diante do exposto, é válido apresentar o ponto de vista dos alunos acerca das pretensões da professora. Para alguns estudantes, a docente parecia querer causar reflexão, ironizando o senso comum, mas não fez nenhum tipo de alerta quanto a isso na proposta do exercício.

Outros alunos, que preferiram não ser identificados, acharam absurdo a escola ter permitido que os cartazes fossem afixados em seus muros, o que acabava gerando questionamentos e, consequentemente, o compartilhamento das fotos nas redes sociais.

Uma vez que tal exposição começou, principalmente através da rede social Twitter, o estrago foi difícil de conter. Parte dos internautas pediam explicações à escola e ao governo do estado, e outra parcela, por sua vez, questionava a própria professora responsável por propor o exercício. O consenso parecia ser somente quanto ao absurdo que as falas expostas nos cartazes configuravam.

Outro lado

Diante da repercussão, a diretora da escola, Fernanda Kelly Barbosa Pires, disse ao portal G1 que os cartazes fazem parte de um projeto em duas partes.

A primeira, já exposta, seria dedicada a abordar o que as mulheres estão fazendo para serem desvalorizadas, e a segunda parte, ainda por vir, abordaria o que os homens estão fazendo com as mulheres. Pires relata ainda que a escola notou a necessidade de abrir discussões nesse âmbito.

A respeito do conteúdo veiculado nas redes sociais, entretanto, a diretora pediu que a professora responsável pela atividade se retratasse e pedisse à turma responsável pelo trabalho a reelaboração das frases que fossem ofensivas para as mulheres.

A diretora ainda ressaltou que o intuito da escola é compreender o que os alunos pensam para, então, tentar conscientizá-los.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo