Nesta quarta-feira (1º), completa-se 25 anos da morte do piloto brasileiro Ayrton Senna da Silva, após acidente ocorrido na sétima volta do Grande Prêmio de San Marino, disputado no circuito de Ímola, na Itália.

No entanto, os eventos trágicos daquele final de semana começaram bem antes, ainda nos treinos livres da sexta-feira, dia 29 de abril de 1994, quando o piloto Rubens Barrichello sofreu um fortíssimo acidente, após escapar em uma curva e seu carro da Jordan literalmente decolar e bater com violência na barreira de pneus e cair de ponta cabeça.

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No sábado, dia 30, durante a tomada de tempo no treino oficial, o mundo do automobilismo ficou chocado ao ver a imagem do carro da equipe Sintek, do piloto austríaco Roland Ratzenberger, deslizar na pista completamente destruído e com seu ocupante desfalecido. A imagem da cabeça do piloto batendo de um lado para o outro dentro do cockpit enquanto o carro rodava ainda causa impacto. O piloto foi atendido na pista e declarado morto minutos depois do treino.

Cabrini lembrou o trágico final de semana do GP de San Marino de 1994. (Reprodução/ TV UOL)
Cabrini lembrou o trágico final de semana do GP de San Marino de 1994. (Reprodução/ TV UOL)

É sobre essa morte no treino classificatório que o repórter Roberto Cabrini, que na época estava fazendo a cobertura da Fórmula 1 para a Rede Globo, fez uma revelação em entrevista recente ao portal UOL, onde também falou da responsabilidade de ter sido incumbido de anunciar a morte do ídolo brasileiro para todo o país.

Morreu na pista

Sobre a morte do piloto austríaco, Cabrini lembrou que pela legislação italiana, caso ocorresse uma morte em um evento, o mesmo teria que ser imediatamente cancelado e por isso, a informação sobre o estado de saúde de Ratzenberger havia sido manipulada.

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Cabrini diz que quem lhe passou essa informação foi o próprio Ayrton Senna.

“Nuca vi o Ayrton Senna tão tenso, no sábado morre o Roland Ratzenberger e o próprio Ayrton me disse que o Ratzenberger morreu na pista e que a informação foi manipulada”, disse o jornalista.

“A corrida que vitimou o Ayrton não deveria ter acontecido, porque o Ratzenberger morreu na pista. Houve uma manipulação (da informação). Foi dito que ele morreu no hospital”, lembrou Cabrini.

Notícia sobre a morte do Senna

Coube ao jornalista a missão de anunciar ao vivo para todo Brasil a morte de Ayrton Senna. Cabrini lembra que os momentos anteriores foram tensos e que ele precisava achar uma maneira de dar a notícia de forma profissional, mas sem ser frio.

Conforme os boletins sobre o estado de saúde de Senna iam chegando, ele sabia que não havia como o brasileiro escapar com vida e por conta disso foi preparando uma forma de anunciar a morte do piloto.

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“Pensei: 'eu vou anunciar a morte de um ente querido coletivo'”, disse o jornalista.

"Não podia ser essencialmente frio, porque seria uma forma de não demonstrar o apreço”, lembra. “Então tínhamos que ter a combinação com os dois fatores”, contou Roberto.

Para ele a frase “Morreu Ayrton Senna da Silva, uma notícia que a gente jamais gostaria de dar”, acabou sendo correta e também algo simbólico do que o país inteiro estava perdendo.

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