O presidente Jair Bolsonaro nesta semana, durante visita aos EUA, que "a grande maioria dos imigrantes em potencial não tem boas intenções nem quer fazer bem ao povo americano". A declaração foi mal recebida por muitos imigrantes brasileiros que vivem nos Estados Unidos e enfrentam inúmeras dificuldades diariamente.

Natalícia Tracy, dirigente de uma das principais associações de imigrantes brasileiros nos EUA, relatou em entrevista à BBC News a frustração dos imigrantes com a declaração e o fato de serem tratados como criminosos.

Publicidade

Como parte de sua declaração polêmica, Bolsonaro teria feito elogios à política de imigração mais rigorosa dos EUA e ainda entrou em defesa da criação do muro na fronteira com o México, proposto pelo presidente Donald Trump ainda quando estava em campanha presidencial. Antes das declarações de apoio à política de imigração e a respeito dos imigrantes, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) havia declarado que os brasileiros irregulares fora do país são uma vergonha para o Brasil.

Ao receber criticas por sua fala, no entanto, ele disseque não foi interpretado da forma correta e que trabalhou juntamente com mexicanos e peruanos quando morou no país como estudante.

Afirmações têm efeitos negativos, afirma Natalícia Tracy

As afirmações do presidente e seu filho Eduardo podem ter um efeito negativo e de grande peso para brasileiro não documentados e que vivem nos EUA. Segundo Natalícia Tracy, o grupo de brasileiros em sua grande maioria é formado por pessoas que relatam que não tiveram condições no Brasil, e, por isso foram tentar melhorar a vida no exterior. Tracy conta que após o início do governo Trump, brasileiros vítimas de crimes pararam de procurar a polícia por medo, e ela alerta que a fala de Bolsonaro pode ainda ter um impacto muito negativo e pode fazer com que a comunidade de brasileiros dos Estados Unidos passe a se esconder ainda mais.

Publicidade

Ao se mudar para os EUA, Natalícia relata que teria sofrido abusos trabalhistas, onde trabalhava até 17 horas diárias como babá e doméstica, e que o local aonde dormia era uma varanda com cimento grosso. Ela permaneceu nos EUA mesmo após o fim de seu contrato e decidiu dar início aos seus estudos. Hoje ela é formada em psicologia e sociologia e possui um titulo de PhD pela Universidade de Massachusetts. Ela acredita que muitos dos imigrantes que teriam votado no presidente atual ainda deverão se arrepender da escolha.