A desvalorização doprofissional da Educação não aconteceu por acaso no Brasil. Hoje temos cerca de2,3 milhões de professores espalhados por este país vivendo realidades as maisvariadas. Só numa coisa eles têm uniformidade: sua desvalorização. É aviltanteacompanharmos o atual debate do piso salarial dos professores onde diversosEstados e municípios não querem praticá-lo. Está mais do que na hora de ogoverno federal aumentar sua participação nos investimentos da educação básica.Dados de 2009 revelam que para cada R$ 1,00 investido na educação básica, osEstados investem $ 0,41, os municípios $ 0,39, a União entra com somente $0,20.

Está mais do que na hora de os Estados e municípios aumentarem seusinvestimentos na educação – 25% não são suficientes para atingirmos os amplosobjetivos educacionais que temos. Está passando da hora de se rever a Lei deResponsabilidade Fiscal no que tange a folha de pagamento da educação, já que amesma é um fator inibidor para as esferas públicas investirem mais nos salários.

Chegamos a um ponto que,ninguém mais quer ser professor. Talvez alguém queira ser, porque não importaos desafios de ser professor para ele, não importa a árdua rotina em pé, osgastos do próprio bolso e noites e noites sem dormir e ainda a triste realidadede aguentar abusos de alguns alunos e a falta de segurança nas escolas.

Sabemosque a desvalorização moral e financeira do professor vem afetando até mesmo oensino em sala de aula. Por tanta falta de motivação muitos desses profissionaisestão deixando de lecionar, busca em outra profissão a realização financeira. Afalta de professores em sala de aula só está acontecendo devido àdesvalorização da profissão.

Segundo a lei deDiretrizes e bases (LDBEN), todos os docentes do 6º anoao 3º ano do Ensino Médio devem ter diploma de curso Superior com licenciaturapara atuar em sala de aula.

Uma pesquisa realizada pelo movimento Todos pela educação(TPE) para o Observatório do Plano Nacional de Educação (PNE), com dados doCenso Escolar da Educação Básica 2013, aponta que 51% dos professores do ensinomédio no Brasil não têm licenciatura na disciplina em que ministram aulas. Alémdesses 22,1% dos docentes que estão em sala de aula não tem qualquerlicenciatura.

De acordo comum diagnóstico coordenado pelo Tribunal de Contas (TCU) para avaliar a ofertade qualidade do ensino médio em 580 escolas de todo o Brasil constatou acarência de pelo menos 32 mil professores com formação adequada nas 12disciplinas obrigatórias nesse nível.

Além disso, aproximadamente 46 mildocentes na rede estadual não têm formação apropriada em nenhuma dessasmatérias. Para piorar a situação, 61 mil professores encontram-se fora dassalas de aula por estarem cedidos a órgãos diversos e estão sendo substituídospor profissionais temporários. Entre as matérias com maior defasagem dedocentes estão: artes com apenas (14%) dos profissionais licenciados, seguidapor física (19,2%) e filosofia (21,2%). As disciplinas com maior porcentagem deprofissionais com licenciatura são língua portuguesa (73,2%), educação física(64,7%) e matemática (63,4%).

Paraconseguirem sobreviver 50% dos docentes lecionam em mais de uma escola, 40%trabalham em mais de uma rede de ensino e 33% mantêm outra atividadeprofissional além do magistério e isto é uma prova viva da desvalorização desteprofissional.

Este profissional deveria ganhar bem para dedicar a menos escolase ter tempo de preparar melhor as suas aulas e investir em sua formaçãoprofissional.

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