Num evento recente no Circo Voador, sua lona foi reerguidano local de origem, o Arpoador, para comemorar 30 anos do lançamento de"Exagerado", o primeiro "hit" da carreira-solo do cantorCazuza, que na ocasião saía definitivamente do Barão Vermelho, em 1985.

Na saída de um show, Cazuzaconfessara ao produtor e mentor Ezequiel Neves seu desejo de sair da banda.Filho único e, segundo sua mãe Lucinha Araújo, acostumado a ser dono de umparticular território e não querer dividi-lo com ninguém, em meados de 85 ocantor e a banda ensaiavam para o quarto álbum.

Mas Cazuza faltava dos encontros ou se apresentava totalmente embriagado, recusando-se a cantar certas canções. Eos amigos já não aguentavam mais os ataques de estrelismo dele, chegando, certavez, a ir às vias de fato com Frejat.

Relutante em sair do conjunto, Cazuza se mostrava preocupadocom o futuro da banda e dos integrantes. O tecladista Maurício Barros e obaterista Guto Goffi, fundadores do Barão Vermelho, estavam com famíliaformada. Mas, a independência falou mais alto: "- Não quero mais gravarpor obrigação. Estou fora." foram suas definitivas palavras.

Mesmo com a saída da figura preeminente do grupo, seuscolegas barões mantinham o conjunto, com Frejat, que já estava acostumado acantar nas inúmeras faltas de Cazuza aos ensaios, praticamente jogado aosleões: ele assumiu os vocais principais. O artista teve aulas de expressãocorporal e corajosamente seguiu em frente como líder, lamentando a ausência dogrande parceiro de composições. O guitarrista não estava preparado para isso:"- A saída dele não foi exatamente numa boa. Não houve brigas, mas tambémnão estamos nos adorando" declarou à imprensa, na época.

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Na última reuniãodo Barão Vermelho com Cazuza, o repertório foi dividido. Parte dele para oálbum "Exagerado" e parte para "Declare Guerra" do Barão. Oprodutor Ezequiel Neves seguiu trabalhando com a banda e Cazuza, separadamente.

No mesmo ano, a primeira Música do Barão Vermelho semCazuza, "Torre de Babel", foi apresentada na televisão e os fãspuderam ver uma prévia de como seria a banda sem Cazuza. Para compor o álbum"Declare Guerra", a temporada de caça aos letristas havia começado,já que o principal letrista do Barão abandonara o barco.

A banda recorreu aRenato Russo, Arnaldo Antunes, Antonio Cícero e gravou as outras músicas daparceria Cazuza-Frejat, divididas na última reunião.

"Declare Guerra" é um excelente álbum, mas osshows de lançamento do mesmo ocorreram em umafase turbulenta do Barão. Além de graves problemas e de erros nas prensagens dosdiscos, Cazuza desfrutava de seu sucesso.

Aos poucos a banda foi selevantando, mesmo com a saída do baixista Dé e depois do tecladista Maurício.Frejat e Cazuza, reconciliados, reviveram a fenomenal parceria, criandosucessos como "Blues da Piedade" e "Ideologia", com ocantor já tocado pelo vírus da AIDS.

Com Dé, Cazuza compôs “Eu Preciso DizerQue Te Amo”, outro grande hit.

O disco “Declare Guerra” pode não ser o melhor trabalho do BarãoVermelho, mas é um marco na sua discografia, sendo o grande e primeiro desafio dabanda a tocar o barco sem o exagerado Cazuza, um dos maiores poetas do rockbrasileiro. 

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