O cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Leo Dias, do portal Metrópoles. A conversa foi postada nesta terça-feira (23) na plataforma.

Na pauta, a prisão do cantor ocorrida na última semana, em virtude de um show realizado no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. Dentre as acusações contra Belo que motivaram a detenção constam: crime de epidemia, invasão de prédio público (pelo show ter acontecido em uma escola) e associação criminosa.

A prisão do cantor Belo aconteceu na casa do apresentador Rodrigo Faro em Angra dos Reis (RJ).

Emocionado, o cantor disse que ficou constrangido e sem saber o motivo da abordagem policial. “Eu tava dando uma entrevista [ao Rodrigo Faro] e chegaram os policias e disseram: 'você tem que nos acompanhar!' [respondi] O quê que eu fiz? (...) eu me senti muito envergonhado com a família do Rodrigo, as filhas, tudo mais, eu me senti envergonhado, a minha esposa também, porque eu não sei o que tava fazendo? O quê que eu fiz? (...) 'Chequei na cidade da polícia, [os policiais disseram] Ah! Você fez um show!' [retruquei] É crime cantar?”, comentou o cantor.

Ainda emocionado, o músico comentou como foi à noite na prisão. “Eu não quero viver isso mais na minha vida. De verdade. Isso pra mim é um pesadelo no qual parecia que eu tava vivendo uma coisa que eu não conseguia acordar em nenhum momento, entendeu?

E eu não sabia porque que eu estava ali”, enfatizou.

Belo comenta acusações

Sobre acusação de invasão, Belo afirmou que sua função é apenas cantar e que seu escritório fica responsável pelo acerto de cachê, logística, dentre outras questões relacionadas a apresentação musical. “Tem o vendedor dentro do escritório do Belo, tem o cara que fecha o show, tem o cara que manda o contrato, tem o cara que emite a nota.

(..) A minha [função] é chegar no palco e cantar", disse.

Outra alegação para detenção do músico está o fato da apresentação ter causado aglomeração. “Eu não tenho controle sobre isso, quando a gente vai fazer show, os músicos, a gente tenta seguir os protocolos. Se você chega no local que você dá uma olhada no BRT está sempre cheio, as praias estão lotadas.

Então, realmente é difícil você saber o que é aglomerar e o que não é aglomerar, né? (...) Mas, o que eu posso fazer naquele momento? Parar o show e ir embora?”, conta Belo.

Entre as acusações contra o músico está associação com o crime organizado. Segundo a investigação, o dinheiro pago pelo show seria oriundo do tráfico. A respeito disso, Belo mais uma vez afirmou que o contrato é firmado pelo escritório responsável pela carreira. “Eu? Como eu falei. Ele [o escritório] trata dos shows. O escritório faz o contrato (...) isso não passa por mim”, defendeu-se.

Futuro da carreira

Belo diz que pretende continuar se apresentando nas comunidades mais carentes. “Eu preciso [continuar com os shows] (...) Eu não quero fazer show em uma comunidade.

Eu quero fazer em todas! Esse é meu público. É o público que me ama, é o público que sempre me abraçou. Eu saí da periferia de São Paulo. Eu saí de uma comunidade de São Paulo. Meu pai era pedreiro e minha mãe costureira. Eu saí de uma [comunidade]”, disse.

De acordo com o cantor ele irá ficar por um tempo pensando na retomada da carreira. “Eu tenho muita gente que depende de mim, né? A minha vida, minha vida é cantar, minha vida é fazer isso, mas é difícil! É difícil! Porque é como eu disse, passou um filme muito grande na minha cabeça de tudo que aconteceu comigo. Não foi fácil, não está sendo fácil todos esses dias para mim. Peço até desculpa ao meu público. Eu tenho me ausentado das minhas redes sociais.

Me ausentei de tudo. É porque eu preciso de um tempo realmente pra mim, entendeu? Então, eu quero ficar mais recluso. Quero entender tudo que aconteceu e tudo mais. Porque eu não quero passar por nada disso de novo”, relatou o cantor.

Havia agendada para março a gravação de um DVD. Contudo, Belo não cravou a realização do projeto. “Eu não sei mais (...) tomei um baque muito grande”, comentou.