Morreu nesta sexta-feira (29), vitimado por um grave câncer, o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein. Ele tinha 63 anos e faleceu, de acordo com informações de seus familiares, por volta das 9h. Nos últimos tempos estava à frente do site Catraca Livre, do qual foi idealizador.

Autor de mais de dez livros, o escritor lutava desde o ano passado contra um câncer no pâncreas, que posteriormente teve metástase para o fígado. Em um vídeo postado na internet, ele comentou sobre a doença, afirmando que atravessava o momento mais difícil de sua vida.

Ainda de acordo com informações passadas por seus familiares, o sepultamento será realizado no próximo domingo (31), no Butantã.

A carreira

Gilberto Dimenstein nasceu em São Paulo, em 28 de agosto de 1986, filho de mãe paraense com ascendência marroquina e pai pernambucano descendente de poloneses. Formando em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, teve seu primeiro trabalho em 1977 na revista Shalon.

No jornal Folha de S.Paulo, no qual trabalhou por 28 anos, foi diretor e correspondente internacional, enquanto na Rádio CBN, de São Paulo, atuou como comentarista. Ele se desligou da empresa para se dedicar ao site Catraca Livre. Também trabalhou no Jornal do Brasil, Correio Braziliense e a revista Veja.

Dentre os livros que escreveu destaca-se "O Cidadão de Papel", publicado em 1994 e ganhador dos Prêmios Esso e Jabuti de melhor livro de não-ficção daquele ano.

"Aprendiz do Futuro" e "Meninas da Noite" são outras obras de destaque do jornalista.

Outros Prêmios Esso na carreira de Dimenstein foram ganhos no final da década de 90. Em 1998 venceu a categoria Principal com a reportagem “A Lista de Fisiologia”, publicada pela Folha de S.Paulo. No ano seguinte venceu a categoria Informação Política com a reportagem “O Grande Golpe”, que também saiu na Folha.

Ele também ficou conhecido como defensor das áreas de meio-ambiente e educação e mantinha projetos sociais.

Luta contra o câncer e autorreportagem

Em março deste ano, Dimenstein concedeu uma entrevista ao portal UOL, quando descreveu sua luta contra o câncer, que o vitimaria dois meses mais tarde. Dentre outras declarações, ele disse que o “câncer me deu uma história de amor”.

Durante o período de tratamento ele estava escrevendo um livro sobre sua rotina com a doença que tinha previsão para ser lançado em no máximo até julho. O livro, como ele dizia, era uma autorreportagem.

Em outro ponto da entrevista, ele disse que certa vez teve “uma sensação de proximidade com a morte”. Ele descreveu que começou a sentir cansaço, sentia que estava saindo. “É uma sensação de liberdade”, contou.

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