Em 25 de novembro de 1940, surgia nas telas de cinema o personagem Pica-Pau (Woody Woodpecker), um dos mais queridos personagens dos desenhos animados. Criado por Walter Lantz e por Ben "Bugs" Hardaway, o Pica-Pau apareceu pela primeira vez em um #desenho do ursinho Andy Panda, criado em 1939. Curiosamente, apesar de ser sua estreia no cinema, no Brasil este episódio foi batizado de Pica-Pau Ataca Novamente, embora seu título original seja Knock Konck (1940). A animação recebeu este nome porque os filmes do personagem foram dublados fora da ordem de produção, e ele acabou sendo tratado como mais uma animação do pássaro amalucado.

A estréia de Pica-Pau

A ideia de criar o personagem surgiu durante a lua de mel de Walter Lantz, um antigo ator dos tempos do cinema mudo, e sua esposa a atriz Grace Stafford em uma cabana nas cataratas do Niágra.

A noite de núpcias do casal foi interrompida por um pica-pau barulhento no telhado da cabana. O pássaro só parou de fazer barulho quando começou a chover, mas então, os buracos que ele havia feito no telhado inundaram a cabana de água. Grace disse ao marido, que já trabalhava como animador (inclusive tendo trabalhado para Walt Disney) que aí estava um bom personagem para um desenho animado.

A voz do personagem foi inicialmente dublada por Mel Blanc, uma lenda da dublagem, responsável pela voz do Pernalonga (Bugsy Bunny). Foi Blanc quem criou a risada característica do personagem. Aliás, ele já havia usado a mesma risada, sem sucesso, no coelho Happy Rabbit, que acabou evoluindo para o Pernalonga. Em sua biografia Blanc escreveu que esta risada era a mesma que ele fazia nos tempos de escola, quando queria chamar a atenção da classe.

Mas Blanc não ficou muito tempo dublando o personagem (ele só emprestou sua voz para dois episódios), pois acabou assinando um contrato de exclusividade com a Warner Bros. O dublador foi sucedido então por Danny Webb, Kent Rogers, Ben Hardaway e, finalmente por Grace Stafford, a esposa de Lantz. Mas Blanc não se desvencilhou do personagem totalmente, seu contrato era exclusivo para o cinema, mas ele continuou fazendo a voz do Pica-Pau em um programa de rádio até 1948, além de gravar discos de histórias pela Capital Records.

A risada de Blanc, gravada em disco, continuou a ser usada nos desenhos. Também é a voz de Blanc que ouvimos quando Pica-Pau diz "guess who?" (adivinha quem é, na tradução), na abertura dos desenhos.

Pica-Pau logo se tornou um grande sucesso. Seu rosto era pintado por soldados nos aviões durante a Segunda Guerra Mundial, e ele virou sinônimo de xingamento para meninos levados nos Estados Unidos (no Brasil tivemos uma expressão semelhante: "tão mau quanto o Pica-Pau").

Os seus curta-metragens de animação foram indicados três vezes ao Oscar [VIDEO], mas nunca ganharam. Os indicados foram O Acrobata Maluco (The Dizzy Acrobat, 1943), Trechos Musicais de Chopin (Musical Momentos from Chopin, 1947) e Apólice Cobertor (Wet Blanket Policy, 1947). A canção "The Woody Woodpecker Song", que surgiu na animação Apólice Corretor também foi indicada ao Oscar de melhor trilha sonora, sendo a única vez que uma música de um curta-metragem de animação concorreu a tal prêmio.

Em 1944, o desenho do Pica-Pau foi reformulado, ele ele perdeu as características mais amalucadas dos desenhos originais. Em 1947, Lantz rompeu o contrato com a Universal, que distribuía seus desenhos, passando a trabalhar com a United Artists. Mas em 1948, a United Artists passou por problemas financeiros, e encerrou o contrato. Sem distribuidor, e sem dinheiro para produzir de forma independente, Lantz fechou seus estúdios.

Sem dinheiro, Lantz vendeu os diretos para a Universal em 1950, que detém os direitos do personagem até hoje (inclusive o usando em parques temáticos). Lá ele voltou a produzir novas animações.

Em 1957, a ABC encomendou novos episódios, agora para a televisão. O programa The Woody Woodpecker Show intercalava uma apresentação do próprio Lantz, que as vezes interagia com sua criatura. O desenho animado na televisão deu um novo folego ao #Pica Pau, e este foi produzido até 1972. Em 1985, eles foram reeditados para retornarem a TV e em 1988, Pica-Pau estreou em um longa-metragem live action numa participação especial em Uma Cilada Para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit , 1988).

No começo dos anos 2000, o Pica-Pau voltou a ser produzido, sendo estes episódios chamados de As Novas Aventuras do Pica-Pau, no Brasil. E, em 2017, finalmente o personagem ganhou seu próprio longa-metragem, Pica-Pau - O Filme (Woody Woodpecker, 2017). Produzido pela Universal, dirigido por Alex Zamm e tem o ator Eric Bauza como dublador da personagem (feito por computação gráfica). No elenco, os atores Timothy Omundson e a brasileira Tayila Ayala.

Curiosamente, Pica-Pau foi o primeiro desenho animado a passar na televisão brasileira. Os curtas feitos para o cinema começaram a ser exibido no dia 19 de setembro de de 1950, um dia após a inauguração da TV Tupi. A emissora no início, só possuía dois episódios em película, e os reprisava constantemente, e apesar das reprises intermináveis, a meninada da época nem se importava. Inclusive os desenhos eram exibidos com o áudio original, sendo dublados apenas posteriormente. Pica-Pau, dublado, só foi exibido na TV brasileira a partir de 1960, já na TV Record, que atualmente ainda exibe as aventuras do pássaro maluco.

Os dubladores do Pica-Pau, no Brasil, foram: Luís Manuel, Olney Cazarré, Garcia Júnior, Marco Antônio Costa e Peterson Adriano (no filme Uma Cilada Para Roger Rabbit) e Sérgio Stern (no longa de 2017).

Assista à evolução de Pica-Pau nas telas

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