A morte do escritor franco-argelino Albert Camus enquanto um plano arquitetado pela KGB é uma suposição lançada em 2011 pelo autor Giovanni Catelli, quando escreveu para o jornal Corriere della Sera sobre essa possibilidade. Ele se baseou em anotações no diário do poeta tcheco Jan Zábrana que sugeriam que a morte do escritor não havia sido por acaso. O italiano expandiu a pesquisa e lançou um livro este ano, “A morte de Camus”, que foi publicado na França, na Argentina e na Itália, segundo o The Guardian.

Catelli afirma que o poeta escreveu no verão de 1980 que “um homem bem conhecido e com conexões” havia lhe dito que a KGB seria a culpada pelo acidente de carro que deu fim à vida de Camus, aos 46 anos.

O serviço secreto soviético teria alterado um mecanismo do pneu que teria estourado quando o carro estava em alta velocidade. Zábrana diz que o homem não lhe contou sua fonte, mas garantiu ser “completamente confiável”.

De acordo com ele, a ordem foi emitida por Dmitri Shepilov, o ministro de questões internas da União Soviética, em retaliação a um artigo de Camus publicado em um jornal francês em 1957. O escritor Nobel era altamente crítico às ações soviéticas. Ele também apoiava publicamente o autor russo Boris Pasternak, que era visto como antissoviético.

Catelli entrevistou a esposa viúva de Zábrana, investigou a infiltração da KGB na França e fez também referência a um polêmico advogado Jacques Vèrges.

Outro advogado, o italiano Giuliano Spazzali, entrou em contato com Catelli depois da publicação do livro e disse que, em uma conversa que teve com Vèrges, ele não tinha dúvidas quanto à encenação do acidente premeditado pela KGB. Além disso, Catelli explora a tese de que a morte de Camus seria do interesse tanto da França quanto da União Soviética, pois as declarações do escritor estariam prejudicando a relação entre os dois países.

A tese, entretanto, não convenceu a professora de Literatura francesa de Cambridge Alison Finch, pelo fato de Catelli citar um poeta tcheco que foi perseguido por comunistas, além de Vèrges, que “defende o indefensável”. Vèrges teve entre seus clientes o torturador da Gestapo, Klaus Barbie, e o ditador Saddam Hussein.

Finch avalia que um possível assassinato de Camus envolvendo autoridades francesas seria controverso, uma vez que Camus era respeitado pela intelectualidade do país.

Albert Camus é autor dos livros "O Estrangeiro", "O Mito de Sísifo", "O Homem Revoltado", "A peste", entre outros, e é conhecido por ter desenvolvido a “filosofia do absurdo”, segundo a qual a existência humana é carregada da ausência de sentido e, ao se dar conta do absurdo desse vazio, o homem sofre de angústia existencial.

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