Histórias de guerra são muitas vezes cheias de contos de heróis improváveis, esses heróis geralmente se destacam quando os seus batalhões mais precisam deles. Mas existem histórias de guerra que são tão bizarras que você pode julgar como falsas. Como a história Cher Ami, uma pequena mensageira que salvou quase 200 homens do fogo amigo, simplesmente entregando uma mensagem. Este conto poderia não ser estranho se estivéssemos de uma mulher, mas Cher Ami, era uma pomba.

Pombos da guerra

Os pombos da guerra, como eram conhecidos, eram muito populares durante a I Grande Guerra Mundia. Sua capacidade de voar através de áreas impenetráveis e não serem detectadas foi o que atraiu o exército, que começou a usar estes animais para a comunicação de guerra.As mensagens eram colocadas em pequenos sacos que eram encaixados no tornozelo das aves, elas saíam voando até a chegarem em uma espécie de poleiro.

Assim que aterrissassem, a sua chegada era sinalizada por uma campainha, que alertaria os vigilantes da comitiva militar para recuperar a mensagem e enviá-la para quem fosse necessário. Em pouco tempo [VIDEO], os alemães começaram a abater quase todos os pombos que viam, sabendo que provavelmente eles estariam transportando informações importantes.

O ato heróico de Cher Ami

Em 13 de outubro de 1918, o major Charles White Whittlesey encontrava-se em uma situação desesperadora. Depois de ser forçado a entrar em um pequeno vale ao lado de uma colina, ele e 194 de seus homens ficaram presos atrás das linhas inimigas. Os alemães estavam avançando por todos os lados, não deixando espaço para fugir. Tendo esgotado seus recursos, eles agora estava lutando por suas vidas.

Então, como se a situação não fosse terrível o bastante, suas próprias tropas começaram a atirar neles, sem perceber quem eram e acreditando que fossem tropas alemãs.

Whittlesey tentou enviar mensagens para suas tropas, mas elas foram continuamente interrompidas e muitas vezes interceptadas pelos alemães.

Então, o major Whittlesey recorreu a uma antiga técnica para entregar mensagens de forma confiável - o pombo-correio.

Seu primeiro pombo, carregando a mensagem “Muitos feridos. Nós não podemos evacuar", foi abatido. Seu segundo pombo, levando uma mensagem mais terrível desta vez - “Os homens estão morrendo. Enviem socorro? ”- também foi abatido. Um terceiro pombo entregou as coordenadas erradas.

Finalmente, com os nervos a flor da pele, Whittlesey voltou-se para o seu último pombo, na verdade, uma pomba, conhecida como Cher Ami. Whittlesey escreveu o que ele esperava que fosse a sua última mensagem:

“Estamos ao longo da estrada, paralelos a 276,4. Vocês estão lançando bombas sobre nós. Pelo amor de Deus, parem e mandem socorro".

Então, ele enfiou o papel no cano amarrado no pé de Cher Ami e a soltou.

Quando Cher Ami decolou, os alemães notaram que ela levantava voo e começou a atirar contra ela.

Uma das balas a atingiu, quase derrubando-a, mas ela conseguiu recuperar o voo. Vinte e cinco minutos depois, ela entregou sua mensagem com sucesso, salvando a vida de todos os 195 homens presos no vale.

Embora a batalha de Whittlesey tivesse acabado, a de Cher Ami estava apenas começando. O tiro que quase a derrubou havia causado uma ferida mortal. Ela havia sido atingida no peito, o estilhaço da bala acabou deixando-a cega de um olho e quase decepou uma de suas patas, quando ela chegou, a sua pata estava pendurada por um único tendão.

Os médicos do Exército trabalharam para salvar sua vida, pois ela acabara de se tornar a heroína da 77ª Divisão de Infantaria. Embora não conseguissem salvar a perna, esculpiram uma pequena prótese de madeira para ela, para que pudesse ficar em pé. Uma vez saudável o suficiente para viajar, ela foi enviada para os Estados Unidos.

Pelos serviços prestados ao seu país, ela foi nomeada a mascote do Departamento de Defesa, e recebeu uma medalha Coix de Guerre, bem como a medalha de ouro dos American Pigeon Fanciers [VIDEO].

Até hoje a sua tarefa heroica é lembrada, e ela continua sendo um dos pombos de guerra mais condecorados do mundo.