França

Alegação: O árabe se tornou a segunda língua oficial da França, segundo Alain Mondino, apoiador do partido de extrema-direita Reunião Nacional (ex-Frente Nacional). O jornal Le Monde nega esta declaração.

Fato: Alain Mondino, um apoiador do partido Reunião Nacional, compartilhou em sua página no Twitter uma imagem de dois textos oficiais destacando maneiras de evitar a propagação do coronavírus, um em francês e outro em árabe. A legenda diz: “Eu não sabia que o árabe se tornou a segunda língua oficial da França. Ninguém deve ignorar a lei, mas aparentemente ignorar o francês está bem”. Seu tuíte foi compartilhado milhares de vezes nas mídias sociais.

Verdade: A imagem original não foi encontrada, mas este documento oficial é real.

A versão em árabe foi compartilhada no site do Ministério da Saúde francês.

No entanto, o documento existe em 24 outros idiomas, como albanês, alemão, inglês, búlgaro, russo, sérvio e até tâmil ou bengali. Como o site do ministério descreve: "esses pôsteres são uma ferramenta de prevenção destinada aos profissionais de saúde e ao grande público".

Quênia

Alegação: A Interpol divulgou um relatório sobre crimes cibernéticos na pequena cidade de Juja, nos arredores de Nairobi, Quênia. O setor de checagem de fatos da agência AFP refuta essa informação.

Fato: Em 18 de maio de 2020, uma história sobre a Interpol rotulando a cidade de Juja como um centro de crimes cibernéticos foi compartilhada na emissora de televisão queniana NTV.

Mais tarde, o conteúdo foi compartilhado no Facebook e no Twitter com capturas de tela da história transmitida pelo canal com a legenda: “Interpol aponta Juja como foco de crimes cibernéticos”.

Verdade: Como destaca o setor de checagem de fatos da agência AFP, "Interpol aponta Juja como ‘centro global de crimes cibernéticos'" foi um artigo publicado em um site chamado PostaMate em 15 de maio de 2020, três dias antes da transmissão da história da TV queniana.

No entanto, o PostaMate é um site satírico, o que prova que esta alegação está incorreta. Além disso, a Interpol disse à AFP: "podemos confirmar que não divulgamos uma declaração afirmando isso". Se a polícia queniana prendeu dois estudantes universitários em Juja por crime cibernético em 14 de maio de 2020, de acordo com a AFP Fact Check, a pequena cidade não pode ser rotulada como "centro de crimes cibernético", conforme confirmado pela Interpol.

Mundo

Alegação: O novo iOS 13.5 permite que a Apple realize rastreamento de contatos e usuários. A agência Reuters nega essa teoria.

Fato: Alguns usuários da Apple têm compartilhado avisos contra a empresa que supostamente "fica de olho em você" e "observa onde quer que vá e com quem você cruza" usando rastreamento

de contatos. O boato começou com as novas atualizações para o iOS 13.5 da Apple, que introduziram a interface de programação de aplicativos "Notificação de Exposição", cocriada com o Google e lançada em maio de 2020. Seu objetivo é apoiar as autoridades de saúde pública em seus esforços para combater a COVID-19.

Verdade: Um porta-voz da Apple disse à Reuters que o governo ou empresas de Tecnologia não podem rastrear indivíduos sem consentimento e acrescentou que os usuários precisariam baixar um aplicativo de uma agência de saúde pública para usar o recurso “Notificações de Exposição”.

Além disso, os termos do rastreamento de localização não se baseiam em dados de GPS ou de localização, mas em "identificadores aleatórios de Bluetooth que indicam proximidade" para proteger as identidades dos usuários, conforme especificado pela Reuters. São falsas as afirmações na internet de que esta nova atualização notificará todos os contatos que passaram perto do proprietário de um telefone se eles testarem positivo para COVID-19. Apple e Google afirmam que os aplicativos devem exigir o consentimento dos usuários antes de compartilhar um resultado positivo do teste com a autoridade de saúde pública. Para mais segurança, os usuários poderão desativar o aplicativo "a qualquer momento". O novo iOS 13.5 não permite que a Apple ative o rastreamento de contatos ou rastreie seus usuários sem o consentimento deles.

Reino Unido

Alegação: A OMS e a rainha do Reino Unido anunciaram que crianças serão levadas de suas casas. Segundo a Reuters, essa afirmação é completamente falsa.

Fato: Um vídeo compartilhado no YouTube em 24 de maio de 2020 mostra declarações em vídeo da rainha Elizabeth 2ª e do Dr. Michael Ryan, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A legenda do vídeo afirma que "A OMS e a rainha anunciam que as crianças serão levadas de casa".

Verdade: Este vídeo é enganador e sua alegação é completamente falsa, conforme a Reuters confirma. Ele mostra imagens da coletiva de imprensa virtual da OMS ocorrida em 30 de março de 2020 e do discurso da rainha Elizabeth 2ª para o Reino Unido e a Commonwealth em 5 de abril de 2020. Algumas frases foram retiradas do contexto e podiam ser interpretadas de outra maneira. Uma filmagem do Dr. Ryan dizendo: "agora precisamos procurar nas famílias para encontrar as pessoas que podem estar doentes, removê-las e isolá-las de uma maneira segura e digna". Já o discurso da rainha foi cortado para manter esta frase: "hoje, mais uma vez, muitos sentirão uma sensação dolorosa de separação de seus entes queridos.

Mas agora, como então, sabemos, no fundo, que é a coisa certa a se fazer”. Ambas as frases não mencionam que as crianças serão levadas para longe de suas casas. Ao analisar a transcrição completa desses dois discursos, podemos afirmar que nem a OMS nem a rainha Elizabeth 2ª declararam qualquer anúncio de que as crianças seriam levadas de suas casas.

Brazil

Alegação: Estudo com 60 mil pessoas na Espanha mostra a "ineficácia das quarentenas".

Fato: Um artigo publicado em um site brasileiro e compartilhado nas redes sociais afirmou que um estudo realizado na Espanha com mais de 60.000 pessoas durante a pandemia de Covid-19 mostrou a ineficácia de quarentenas ou de medidas de isolamento social. O estudo teria concluído que os trabalhadores ativos têm uma menor incidência de contágio.

Verdade: O estudo intitulado ENE-COVID, liderado pelo Ministério da Saúde espanhol e pelo Instituto de Saúde Pública Carlos III (ISCII), não mediu a eficácia das quarentenas, adotadas na Espanha desde março. O objetivo do estudo, realizada entre 27 de abril e 11 de maio, foi estimar a porcentagem da população espanhola que teve contato com o vírus e desenvolveu anticorpos. O primeiro relatório preliminar, divulgado em 13 de maio, mostra que aproximadamente 5% da população da Espanha desenvolveu anticorpos contra o Covid-19. No entanto, não há nenhum dado no estudo que mostre que trabalhadores ativos tiveram menor incidência de contágio.

EUA

Alegação: O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a votação por correspondência é repleta de fraudes e que a Califórnia está enviando cédulas para imigrantes sem documentos.

Fato: Na terça-feira (26), em uma série de tuítes, Trump alegou que a votação por correio é "substancialmente fraudulenta" e que as cédulas na Califórnia iriam para "qualquer pessoa que mora no estado, não importa quem eles sejam ou como eles chegaram lá”. Mais tarde, naquele dia, durante uma coletiva de imprensa, Trump repetiu sua afirmação e disse que "pessoas que não são cidadãs, ilegais, qualquer pessoa que anda na Califórnia receberá uma cédula".

Verdade: Justin Levitt, professor da Loyola Law School, em Los Angeles, e especialista em direito constitucional e direito da democracia, revisou as eleições gerais, primárias, especiais e municipais dos EUA de 2000 a 2014 e constatou 31 incidentes de fraude eleitoral.

Segundo ele, em um artigo publicado no The Washington Post em 6 de agosto de 2014, apenas nas eleições gerais e primárias, mais de 1 bilhão de votos foram lançados nesse período. Em uma entrevista à CNN, Richard Hasen, professor de direito e ciência política da UC Irvine, disse que, embora "a fraude por voto ausente ocorra a taxas relativamente mais altas do que outros tipos de fraude eleitoral", essa taxa geral ainda é "bastante baixa".

Sobre a alegação de Trump de que o governador da Califórnia Gavin Newsom está enviando cédulas para quem não é cidadão americano, a ordem executiva de Newsom de 8 de maio estabelece o envio de cédulas por correio apenas para os eleitores registrados. Pessoas que não possuem a cidadania americana são expressamente proibidas de se registrarem para votar nas eleições federais.

O Twitter adicionou um ponto de exclamação azul embaixo dos tuítes de Trump para alertar os leitores para "informações potencialmente enganosas". Em resposta, Trump ameaçou regular ou fechar empresas de mídia social que "silenciam vozes conservadoras".

Rússia

Alegação: Na semana passada, Alexander Myasnikov, chefe de informações sobre coronavírus da Rússia, comemorou a baixa taxa de mortalidade oficial da Rússia, chamando-a de "milagre russo".

Além disso, referindo-se à Covid-19, ele acrescentou: "É tudo exagerado. É uma doença respiratória aguda com mortalidade mínima".

Fato: Myasnikov é médico e apresentador de televisão. Em meados de abril, depois de prever que seria “impossível” que a pandemia chegasse à Rússia, ele foi nomeado chefe de informações sobre coronavírus do país. Seus principais deveres são informar sobre possíveis tratamentos e métodos de prevenção, além de combater notícias falsas em torno do vírus.

Verdade: De acordo com o estudo da Universidade Johns Hopkins sobre taxa de mortalidade, a Rússia é o terceiro país mais atingido do mundo, com 379.051 casos confirmados, depois dos Estados Unidos (1.721.926 casos) e do Brasil (438.238 casos).

No entanto, os dados do estudo mostram uma enorme lacuna, considerando o número de mortos. Enquanto os EUA registraram 101.621 mortes e o Brasil 26.754, a Rússia parece ter “apenas” 4.374 vítimas do Covid-19. No Reino Unido, quarto no ranking da Johns Hopkins, as mortes disparam novamente para 37.919. Segundo os dados, Sars-cov-2 é menos letal na Rússia do que em outros países.

Em abril, 60% das mortes de pessoas em Moscou, que tiveram resultado positivo para a Covid-19, foram atribuídas a outras causas. O site Business Insider explica que a Rússia defende seus números, afirmando que seus métodos de contagem são "excepcionalmente precisos", mais do que em outros países. Assim, Myasnikov sugere que as pessoas estão morrendo por razões não relacionadas ao vírus.

Uma análise realizada pelo Financial Times e publicada em maio estima que a taxa de moralidade da Covid-19 na Rússia representa apenas 30% do total. Neste cenário, o número oficial de mortos na Rússia pode ser extremamente subestimado, explicando que não há milagre na Rússia, apenas uma orientação diferente para a coleta de dados.

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