A violência doméstica tem crescido diante da quarentena imposta pela pandemia do coronavírus. Os pedidos de socorro dentro de casa tiveram um salto de 20% no estado de São Paulo em comparação com o ano anterior. Esses dados são da Secretaria da Segurança Pública, fornecidos ao jornal Folha de S.Paulo.

As informações constam na base de dados que registrou os atendimentos realizados pela Polícia Militar no período em que o isolamento social foi decretado (20 de março a 13 de abril). Ao comparar com o mesmo período no ano de 2019, ficou nítido que houve crescimento.

Nesse período de quarentena estadual, cerca de 7.933 casos foram registrados de violência doméstica contra a mulher. No ano passado, nesse mesmo período foram registrados 6.624.

Violência doméstica cresce em meio à pandemia do Covid-19

Nos últimos seis dias das análises, houve uma aceleração dos casos, segundo os números obtidos pela Folha. O primeiro decreto de isolamento social para conter a propagação da Covid-19 aconteceu entre os dias 20 de março e 7 de abril. Nesse período a Secretaria de Segurança Pública já havia registrado um aumento de 16,9%. Do dia 7 de abril até 13 de abril, subiu para 29,2%, um total de 2.000 novos casos em apenas seis dias.

De acordo com os dados da Polícia Militar, a maioria desses casos de violências domésticas são denunciados pelos vizinhos ou terceiros.

Segundo a Folha, a PM não consegue registrar todos os casos, pois muitos não fazem o boletim de ocorrência, o que acaba interferindo nos dados reais que servem como estatística oficiais do Governo. Portanto, estima-se que esse número é ainda maior.

Impacto do isolamento social na vida doméstica

Segundo Fabíola Sucasas, promotora do Ministério Público de São Paulo e assessora de Direitos Humanos da Procuradoria-Geral de Justiça os números reais ainda são desconhecidos.

De acordo com a mesma, os dados serão usados para identificar problemas de confinamento e estudar formas de combatê-los. O impacto que o isolamento tem causado agrega dois problemas: a tensão pela confinação que tende a fomentar o relacionamento abusivo e a dificuldade da mulher pedir socorro. Em todo caso, a mulher abusada é a grande vítima.

Um relacionamento desgastado encontra seu apogeu quando os partícipes se encontram confinados, piorando a tensão no ambiente doméstico deixando a vítima sem alternativas, além de prejudicar as crianças que presenciam cenas inapropriadas.

A promotora cita que houve o aumento de pessoas ansiosas e depressivas, além do consumo de álcool e estresse que a falta de recursos tem gerado na população de baixa renda. A tensão que a pandemia do novo coronavírus tem causado tem levado mulheres a buscar a Polícia Militar. Segundo a Folha, a Secretaria Estadual de Saúde, informou que houve redução dos relatos de violência dentro de casa, mas porque estão acionando direto a Polícia Militar.

Como denunciar?

Mulheres ou crianças que sofrem agressão doméstica e se encontram em situações de emergência podem ligar para o 180 que funciona 24h por dia e mantém em anonimato tanto a vítima como aqueles que fizerem a denúncia.

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