O ator Milton Gonçalves abordou preconceito, racismo e representatividade política em entrevistas publicadas nesta quarta-feira (20) --Dia da Consciência Negra-- no site do jornal Extra e no F5, da Folha de S.Paulo. Militante assumido do movimento negro, disse que falta representatividade na política brasileira. Ele, que candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro em 1994, afirma que falta no Brasil um presidente negro, como já aconteceu nos EUA com Barack Obama, de 2009 a 2017.

Ele reconhece que pelo menos tivemos três governadores negros em nosso país. "Que felicidade grande quando você chega nos Estados Unidos, vem aquele negão, com a mulher dele, as duas filhas e ele é presidente", destacou, referindo-se à época de Barack Obama no poder.

O fato de não ter essa imagem no Brasil chega a incomodar o ator, acrescentando que nessa representatividade também faltam índios e orientais.

Contou ainda fatos do passado vividos em São Paulo, quando enfrentou o preconceito: "não me deixaram entrar no cinema, porque eu era negro. Houve um tempo em que toda mulher negra era prostituta". Por todos esse fatos, o ator confessou que percorreu um caminho longo em sua trajetória profissional consolidada no teatro e nas telas --que um dia lhe foram negadas.

Outro ponto que incomoda o ator nessa questão de preconceito é o nosso vocabulário ao se referir a uma pessoa negra. Por ele, não existiria mais o termo "crioulo",

Bom velhinho

Com 85 anos e matrícula 127 na Globo --como gosta de lembrar--, Milton estará no especial de Natal da emissora, "Juntos, a magia acontece", interpretando o Papai Noel.

No roteiro, ele será o viúvo Orlando, triste com a morte da esposa, mas que volta a se alegrar ao vestir a fantasia do bom velhinho. O programa será exibido no dia 25 de dezembro, com foco nas relações familiares e a questão do negro na sociedade. "Vou fazer o melhor Papai Noel que puder", declarou.

O elenco dessa história, onde o símbolo natalino é sempre representado por alguém branco, terá outros personagens negros, com interpretações de Camila Pitanga, Fabrício Boliveira e Luciano Quirino. É uma história de "uma família preta, na noite de Natal", anunciou a colega Camila Pitanga.

A história pode ser considerada inspirada em fatos reais.

Em 2016 um Papai Noel negro era o centro das atenções nos EUA. Isso porque era o primeiro negro num dos maiores shoppings do país. E no ano passado, outro negro, Rubens Campolino, representou um Papai Noel em um centro comercial de São José dos Campos, interior de São Paulo, com muito sucesso.

Milton Gonçalves foi casado com Oda Gonçalves (branca) de 1966 a 2013 --quando ela faleceu-- e é pai do também ator Maurício Gonçalves, um de seus três filhos. Milton contou que a família de Oda foi contra o casamento, e a dele também, por conta de preconceitos.

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