Uma semana depois de ser estuprada por 33 homens, adolescente de 16 anos agora é vítima de violência virtual. Foi criada uma conta no Twitter que tenta justificar o crime. Para tal, compartilha fotos que a menina postou em suas redes sociais segurando armas. A conta faz ironias com as imagens, afirmando que "isso a Rede Globo não mostra".

Dessa forma, a conta fortalece a cultura do estupro e tenta buscar justificativas para explicar o inexplicável. Usando fotos para diminuir a gravidade do ocorrido, a conta do Twitter argumenta que a adolescente andava com bandidos e por isso sempre correu o risco de que isso acontecesse.

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Dessa forma, desresponsabiliza os estupradores e joga a culpa para cima da vítima. A conta, claro, encontrou eco em algumas pessoas, que começaram a seguir o Twitter e duvidam sobre o crime ao olhar fotos e postagens antigas da adolescente em suas redes sociais.

Mas a conta do Twitter feita para justificar o estupro não é a única. Diversas pessoas usam seus perfis pessoas para opinar sobre o caso e duvidar da história da menina; argumentam que o fato dela frequentar a comunidade, ter usado ou ainda usar drogas e postar fotos com arma tira seu papel de vítima. 

Como "prova", mostram prints de pessoas que supostamente conhecem a menina e garantem que não aconteceu estupro e que tudo foi consensual. "Nenhuma favela de comando aceita estupro", diz um dos textos de alguém que supostamente tem ligação com o que aconteceu.

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"Se estuprar na favela de comendo vai morrer", diz, argumentando que os "36" homens que violentaram a menina ainda estão vivos. Lucas, que a adolescente diz ser seu namorado, diz que não é, que não houve estupro e que ele, um amigo, a vítima e uma amiga foram para uma casa abandonada e cada um teve relação sexual separada - ele com a outra menina e o outro jovem, Raí, com a vítima - e que tudo foi consensual.

Toda a versão é rebatida pela vítima, que diz ter saído para se encontrar Lucas e lembra apenas de ter chegado na casa dele e acordar no dia seguinte com 33 homens em cima dela. A adolescente confessou que não é seu útero que dói, e sim sua alma. A ONU Mulheres publicou nota pedindo para que não se culpem vítimas em nenhum caso de estupro e que todos tenham tolerância zero com esse tipo de situação. A hashtag #EstuproNaoÉCulpaDaVitima está entre as mais comentadas do Twitter há mais de um dia.

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