Cinco meses e dez dias após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minhas Gerais, ocorrido em 25 de janeiro, as equipes de resgate encontraram na noite desta quarta-feira (3) o corpo de mais uma vítima.

O corpo estava soterrado em meio aos rejeitos, perto de onde ocorreu o rompimento da barragem, e estava praticamente intacto. No bolso da calça da vítima foi encontrado um documento de identificação, cujo nome consta na lista de desaparecidos.

Entretanto, a Polícia Civil ainda fará a identificação do corpo, que foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), e só após isso dará mais detalhes sobre essa vítima.

Até o momento, 246 mortos na tragédia foram identificados e 24 pessoas seguem como desaparecidas. Os trabalhos de buscas por vítimas continuam sendo realizados por 150 bombeiros e ainda não existe prazo determinado para o seu encerramento.

No mês passado, outro corpo havia sido encontrado praticamente intacto em meio aos rejeitos. O fato foi considerado atípico pela equipe de resgate, uma vez que naquela altura da operação apenas fragmentos de corpos estavam sendo localizados. O cadáver, já em estado avançado de decomposição, foi encontrado na região onde ficava um terminal ferroviário de carga da Vale. Dez dias após a localização dessa vítima, foi encontrado mais um corpo intacto, ontem.

A tragédia

No dia 25 de janeiro, a barragem da mina do Córrego do Feijão, pertencente à mineradora Vale, em Brumadinho (MG), rompeu-se, liberando cerca de 11,7 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro. O material arrastou tudo o que estava pela frente, incluindo o setor administrativo da empresa, áreas rurais da cidade, uma pousada e casas da comunidade.

CPI recomenda indiciamento de 14 pessoas

Na última terça-feira (2), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga a tragédia de Brumadinho recomendou que 14 pessoas sejam indiciadas por homicídio por dolo eventual, ou seja, quando se assume o risco de cometer o crime.

De acordo com o relatório, foram detectados sinais de que a barragem poderia se romper antes da tragédia acontecer.

O relatório será encaminhado aos órgãos responsáveis pela investigação do desastre. Dentre os indiciados, 14 são funcionários da mineradora, incluindo Fábio Schvartsman, então presidente da empresa na época em que ocorreu a tragédia. Outros dois indiciados são funcionários da empresa de auditoria Tuv Sud.

O mesmo relatório também sugere que as duas empresas sejam indiciadas por crimes ambientais.

A Vale emitiu uma nota onde diz que de forma respeitosa "discorda da sugestão de indiciamento de funcionários e executivos da companhia".

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