Uma confusão feita por um hospital de Santo André, na região do ABC, em São Paulo, fez com que uma família acabasse sepultando o corpo de outra pessoa. O engano só foi descoberto após o enterro.

Dona Amir Martins da Silva, de 92 anos, havia sofrido um acidente doméstico há 15 dias e quebrado o fêmur. Ela foi internada no Centro Hospitalar de Santo André, seu estado de saúde piorou e ela veio a falecer na manhã da última quarta-feira (8).

Nelson Gil da Silva, filho de Amir, relatou ao portal G1 que assim que recebeu a notícia sobre o falecimento de sua mãe correu até o hospital junto com o pessoal da funerária.

Chegando lá, ele foi informado que só os profissionais da funerária poderiam entrar no local onde estava o corpo e ele teria que ficar esperando lá fora.

Na saída, o pessoal da funerária disse que havia sido realizado o protocolo de Covid e que o corpo estava em dois sacos e com o caixão lacrado. Os familiares então, seguindo as orientações do governo, optaram por fazer o enterro direto, ou seja, sem a realização de velório.

A família chegou a desconfiar do quadro de Covid-19, uma vez que havia recebido a informação do próprio hospital que a causa do falecimento havia sido por complicações de uma broncopneumonia.

Descoberta do engano

Logo após ter sido realizado o sepultamento, sem o velório, Nelson chegou em sua casa e recebeu uma ligação do hospital, informando que havia tido um engano e que outra pessoa tinha sido sepultada no lugar de sua mãe.

De acordo com a ligação, o corpo estava “feito” de forma adequada, e a família poderia velá-lo.

Nelson contou que hospital buscou se isentar de culpa, afirmando que os corpos estavam devidamente etiquetados, com uma etiqueta no peito, uma no pé e outra no saco plástico. Nelson confirma a existência da etiqueta que estava no peito, mas não viu nenhuma presa ao saco plástico.

“Eu estive lá e eu vi, a do peito da minha mãe, eu vi a identificação”, lamentou.

Outra família percebeu a troca

Quem foi enterrado no lugar de Amir foi Francisco Carlos da Silva, de 54 anos. Foi a família dele que notou o erro após o corpo ser liberado e eles notarem que se tratava de uma mulher.

As duas famílias registraram boletim de ocorrência contra o hospital e a delegada exigiu que o corpo de Francisco fosse exumado.

“O pior de tudo isso é que amanhã (esta quinta) nós vamos passar por tudo de novo”, disse o filho. “A mesma sensação ruim, aquela tristeza, aquela angústia”, seguiu. O novo enterro foi realizado na manhã de quinta-feira (9)

E nota, a prefeitura de Santo André classificou a troca dos corpos como sendo um constrangimento “inconcebível”. O prefeito Paulo Serra exigiu que fosse feita uma apuração imediata dos fatos e não descartou o afastamento dos responsáveis.

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