O caso da menina de 10 anos que engravidou após 4 anos sendo abusada pelo tio gerou comoção e polêmicas nas redes sociais nos últimos dias. O caso ocorreu em São Mateus, no Espírito Santo, e foi descoberto após a criança ser levada a um hospital com dores abdominais e a gravidez ser confirmada. Ela contou que não denunciou o homem antes pois ele a ameaçava e a seus familiares.

Aborto autorizado pela Justiça do ES

Após a descoberta do abuso a que a menina era submetida e da sua gravidez, ela foi levada para um abrigo da cidade e na última sexta-feira (14), a Justiça capixaba autorizou que fosse realizado um procedimento para interromper a gestação da menina.

Após a negativa de um hospital de Vitória para realizar o aborto, a menina foi levada para um hospital do Recife, em Pernambuco, para ter o procedimento realizado.

A menina chegou à unidade de saúde neste domingo (16), onde foi dado início o procedimento. Nesta segunda-feira ocorreu a expulsão do feto do corpo da menina, através de medicamentos. O médico Olímpio Barbosa de Moraes Filho conversou com a GloboNews após o fim do procedimento.

O profissional disse que ela está bem aliviada. Ele falou que a menina sofreu de forma terrível nos últimos dias com as ameaças que sofreu. "Ela está bem aliviada. O sofrimento nesses últimos dias foi terrível, as ameaças que ela sofreu", disse. Ele disse que espera que o sofrimento a partir de agora sejam atenuados e que isso dependerá da forma que o caso será conduzido e do respeito ao sigilo da mesma, para que possa recuperar a sua vida.

Manifestantes foram até a porta do hospital

A menina está sendo acompanhada na unidade de saúde pela sua avó e por assistentes sociais, além de receber apoio psicológico. No domingo (16), um grupo de pessoas foi até a porta do hospital e formou uma corrente para evitar a entrada do médico na unidade de saúde. Ele entrou no local sob gritos de assassino.

A manifestação se formou após a ativista Sara Winter divulgar nas redes sociais dados pessoas da menina e o local onde seria realizado o procedimento.

Para o médico, houve uma segunda violência quando quebraram o sigilo da identidade da menina e isso não poderia ocorrer. Barbosa disse que a criança deve ser protegida, pois tem um futuro de vida pela frente e não pode ser exposta.

O profissional falou também sobre os colegas que se negaram a realizar o procedimento no Espírito Santo, alegando que não tinham protocolo para interromper uma gravidez tão avançada como a da vítima. Olímpio falou que o código médico permite a objeção de consciência verdadeira e isso acontece, mas disse que os médicos têm a obrigação de não inviabilizar o direito à saúde. Para ele, deve ser dada uma opção e ela não pode ser negada.

Barbosa disse que a consciência de um profissional vai mudando com o tempo e que eles vão crescendo e entendendo o sofrimento e com isso mudando os pensamentos, e que isso faz parte do crescimento do ser humano. O médico disse que quando se vê na prática esse sofrimento, as pessoas mudam.

Para ele, seria um ato de tortura manter uma gravidez em uma criança contra a sua vontade e de sua família, e que isso colocaria em risco a saúde da menina, nem que seja a sua saúde mental.

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