O ex-aluno da Fundação Getulio Vargas (FGV) Gustavo Metropolo foi condenado pela Justiça de São Paulo a dois anos em regime aberto pelos crimes de racismo e injúria racial após chamar um colega negro de “escravo”. A pena privativa foi substituída por prestação de serviços comunitários e o pagamento de cinco salários mínimos para a vítima do crime.

Metropolo era estudante de economia e teve sua condenação porque mandou uma foto e uma mensagem para um grupo de alunos no aplicativo WhatsApp, quando chamou o colega João Gilberto Lima, 28, que fazia administração pública, de escravo.

Na mensagem Metropolo escreveu: "Achei esse escravo aqui no fumódromo! Quem for o dono avisa!".

Depois de três anos do ocorrido, Metropolo teve que dar um depoimento no começo do mês de março e negou que tenha sido quem postou a foto e a mensagem. Por outro lado, na decisão judicial, a juíza Paloma Assis Carvalho, da 14ª Vara Criminal de São Paulo, disse que não convence a versão de Metropolo.

O que restou foi a comprovação, por muitas vezes, que Gustavo teria admitido aos próprios professores da fundação e também aos coordenadores que havia sido ele. Até mesmo teria confidenciado ter feito uma “monstruosidade” e que eles estariam perdendo tempo com pessoas iguais a ele. Disse que não era uma coisa que tinha aprendido com sua família, mostrando-se muito arrependido.

Na sentença do rapaz, a juíza alegou que a versão dada pelo réu não encontra nenhum respaldo nas outras provas e alguns elementos da certeza dele.

O que aconteceu na época

O caso aconteceu no mês de setembro de 2017, quando Metropolo foi suspenso da instituição de ensino. Contudo, ele conseguiu uma ordem judicial para voltar a estudar na FGV.

Por outro lado, foi recebido com muitos protestos dos alunos da universidade. Logo depois, ele chegou a trancar a matrícula e não saiu da universidade. Hoje em dia, Gustavo cursa em uma outra instituição.

No ano seguinte, em 2018, Gustavo admitiu que havia postado a mensagem, segundo a FGV, na frente da comissão de conduta da universidade.

Assim, foi determinado que o então aluno seria suspenso por três meses.

Segundo o advogado de João Gilberto, Daniel Bento Teixeira, que é diretor do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (Ceert), dias após essa mensagem, a comissão mostrou a ele a mensagem caracterizando João Gilberto como escravo, e Metropolo começou a chorar e confessou que foi o autor do envio. Disse que fez uma monstruosidade e chegou a pedir desculpas à comissão.

Em entrevista ao UOL, Teixeira disse que Metropolo confessou o crime, mas logo após falar com os pais, que são os advogados, começou a negar a autoria durante o inquérito. Chegou a dizer que teve o celular roubado, mas o aparelho só foi roubado logo depois que postou a mensagem.

Os professores que participaram do processo dentro da instituição foram as testemunhas. João Gilberto, que é bolsista, hoje esta no último semestre do curso.

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