Gay assumido Welton Trindade diz que nunca doou sangue, mas sempre teve vontade de praticar esse ato que sabe ajudará muitas vidas. Perguntado por quê nunca se dispôs a ir até um centro de doação o goiano Welton retruca: 'Serei discriminado publicamente e com hora marcada? Meu sangue não vale menos por isso'.

Assim como milhares de outros brasileiros o jovem ativista se vê impedido de doar sangue por causa de uma regra da Anvisa (Agencia de Vigilância Sanitária), orgão que pertence ao Ministério da Saúde.

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Ele admitiu à BBC Brasil nunca ter doado sangue e nem vai doar, por medo de ser constrangido. O veto que causou bastante polêmica faz parte de um conjunto de normas à respeito da doação de sangue em nosso país, maioria refletida nas diretrizes criadas pelos Estados Unidos.

O Ministério da Saúde determina que 'homens que tiveram relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, nos últimos doze meses, estão proibidos de doar sangue'.

O orgão ainda confirmou que reavalia as regras periodicamente e deve manter a proibição na próxima revisão. A documentação está em fase final e será publicado logo.

Segundo o Ministério essa decisão é baseada em evidências científicas. Conforme diz o último Boletim Epidemiológico, tornado público em 2014, a taxa de HIV entre gays é 10,5%, entre os que fazem uso de drogas é de 5,9% e entre as prostitutas é de 4,9%. Já no restante da população a proporção é de apenas 0,4%.

'Enquanto não for apontada uma certeza científica que nos permita diminuir esse tempo que é de doze meses, temos que continuar a dar segurança à quem doa e quem recebe.

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Afirmou João Paulo Baccara, coordenador da área de sangue e hemoderivados, à BBC Brasil.

Para Trindade essa Lei é 'Cômica e sem lógica'

'Um heterossexual pode sair do motel e ir à um Centro de doação e doar sangue tranquilamente, já o homossexual precisa passar um ano sem ter relações sexuais antes da coleta'. Diz ele em tom de crítica.

Com intuito de acabar com a proibição Welton que é jornalista e coordenador de mídia do Estruturação, grupo que tem sede na capital do país, para defender os direitos LGBT, em 2010 ele criou a campanha 'Mesmo sangue, mesmo direito'.

O Ministério da Saúde garante que não faz distinção de doador por 'orientação sexual' e que funcionários não devem mostrar preconceito.