Parece um contrassenso? Parece, mas não é. Embora muito calórico, o azeite é riquíssimo em gordura monoinsaturada, a grande inimiga das barrigas avantajadas. Consumi-lo regularmente traz benefícios estéticos? Sem dúvida. Porém, muito além de um corpo mais bonito - e magro -, esse óleo diminui consideravelmente os depósitos de gordura no abdômen.

O mérito é todinho da gordura monoinsaturada, que aparece em quantidades generosas no alimento. Para se ter uma ideia, mais da metade da composiçãuo do azeite consiste nesse ingrediente benfazejo.

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O que não pode é exagerar no consumo. Cientistas do Instituto de Nutrição e Psicologia da Universidade de Medicina de Gottingen, na Alemanha, constataram, por meio de testes com 100 voluntários durante um ano, que o consumo de duas colheres de sopa por dia já ajuda a emagrecer.

Não mais do que isso, já que cada grama do óleo de oliva oferece 9 calorias.

Há décadas, estudiosos de cardiopatias variadas descobriram que a gordura monoinsaturada é capaz de reduzir os níveis de LDL, a fração ruim de colesterol ruim que fica dando sopa nas artérias. Além disso, é rico em ácido oleico, uma substância que estimula o fígado a produzir o HDL, o colesterol bom, aquele que ajuda a fazer uma bela faxina nas artérias. Como se fosse pouco, o óleo de oliva contém boas pitadas de ômega-3, outra gordura do bem, que protege o coração e o cérebro. Sem falar nas substâncias antioxidantes, grandes aliadas da Saúde vascular. Ao evitar que o colesterol se oxide, fica muito mais difícil para essa gordura do mal se depositar nos vasos sanguíneos.

É fácil entender o porquê: imagine que as membranas das células tenham receptores, que vamos chamar aqui de “fechaduras”.

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As chaves para abri-las são as moléculas de colesterol. Os componentes do azeite aumentam a quantidade de receptores. E quanto mais numerosos eles forem, maior também será o teor de gordura que irá se encaixar neles. É assim, então, que ela sai da circulação do sangue, deixando os vasos livres. Sem os receptores, eles se entopem e dão origem à temível aterosclerose – placas de gordura que impedem a livre circulação do sangue.

Livres para agir, as células adiposas contribuem para a formação da gordura visceral, ou intra-abdominal, que se esconde entre as alças intestinais e se avizinha perigosamente de outros órgãos vitais, como o fígado, os rins e o pâncreas, num efeito cascata devastador, sobretudo para o coração e para o cérebro. Instalada na linha da cintura, a gordura visceral produz substâncias que levam às alturas os níveis de colesterol e triglicérides, a pressão arterial e as taxas de açúcar no sangue responsável pelo Diabetes. Essa bagunça metabólica, que também acaba entupindo as artérias renais, atende pelo nome de síndrome metabólica.

Os benefícios desse óleo saudável vão além: estudos sugerem que ele poderia proteger contra a artrite reumatoide, osteoporose, inflamações e até câncer de intestino e de mama.

Em tese, qualquer azeite produz benefícios, mas os efeitos do tipo extravirgem são incomparavelmente melhores.