As mulheres têm sido menos suscetíveis a ter quadros mais graves de coronavírus em muitos países, assim como têm demonstrado maiores porcentagens de sobrevivência em casos de Covid-19 em comparação aos homens.

Cientistas estudam o papel dos hormônios femininos nesse processo. Segundo o New York Times, experimentos iniciaram a aplicação de hormônios femininos em homens por um período limitado. Na semana passada, médicos de Long Island, em Nova York, começaram a tratar pacientes de Covi-19 com estrógeno com o intuito de fortalecer o sistema imunológico. Os resultados dos testes devem sair em maio.

Na próxima semana, médicos em Los Angeles vão começar a tratar pacientes com a progesterona, que tem propriedades anti-inflamatórias.

A pulmonologista Sara Ghandehari, que investiga o uso da progesterona, disse ao jornal americano que 75% os pacientes em unidade intensiva e que usam ventiladores no hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, são homens.

Mulheres grávidas, que têm altos níveis que estrógeno e progesterona, tendem a ter sintomas mais brandos da doença, o que, de acordo com Ghandehari, leva a analisar o efeito protetivo dos hormônios.

Especialistas que estudam diferenças sexuais na imunidade, entretanto, advertem que os hormônios podem falhar em ser uma resposta mágica, pois mesmo mulheres idosas com Covid-19 têm maiores taxas de sobrevivência, apesar da drástica redução de hormônios depois da menopausa.

Pesquisadores que estudam diferenças entre os sexos consideram tanto a questão biológica quanto fatores comportamentais, como o fato de haver mais homens fumantes.

Sabra Klein, cientista que estuda diferença entre sexos em infecções virais na Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, acredita que também pode haver o fator genético, além do hormonal.

"Se as mulheres conseguem se recuperar melhor aos 93 anos, eu duvido que seja por causa dos hormônios", afirma.

Um estudo demonstra que o estrogênio pode ter efeito em uma proteína conhecida como "angiotensin-converting enzyme 2 (ACE2)". O coronavírus utiliza receptores da ACE2 nas superfícies da células como uma rota de entrada, e a ACE2 é regulada diferentemente em homens e mulheres, explica Kathryn Sandberg, diretora do Center for the Study of Sex Differences in Health, Aging and Disease at Georgetown University.

Em estudos com ratos, Sandberg e sua equipe demonstraram que o estrógeno reduz a expressão da proteína ACE2 nos rins, então é possível que o hormônio tenha o mesmo efeito em homens.

Testes

No experimento da universidade de Stony Brook está havendo o recrutamento de 110 pacientes de emergência hospitalar com sintomas como febre, tosse, respiração curta ou pneumonia, além dos que testaram positivo para o Covid-19, e que não estejam entubados. O teste é aberto para homens com mais de 55 anos, uma vez que o nível de estrógeno nessa faixa etária é menor. Será dado a metade dos participantes estradiol por uma semana, enquanto a outra metade será do grupo de controle.

Já no Cedars-Sinai o estudo é menor, com 40 homens, metade do grupo de controle.

Apenas pacientes com a doença em estágio brando a moderado que testaram positivo para coronavírus podem participar. Eles receberão duas doses de progesterona por dia, durante cinco dias.

Eles serão monitorados para a avaliação do quadro, e os resultados serão comparados aos do grupo de controle.

Os pesquisadores de Los Angeles têm mais expectativas quanto à progesterona, devido a estudos que demonstraram os efeitos imunológico e inflamatório em células. A hipótese é a de que a progesterona irá reduzir os efeitos da síndrome do stress respiratório agudo.

Acredita-se que ambos os hormônios sejam seguros quando utilizados em curtos períodos.

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