Estreou na Netflix nesta última sexta-feira (10) a segunda temporada da série brasileira "O Mecanismo".

A série é livremente inspirada no livro "Lava Jato - O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil", de Vladimir Netto.

Diferentemente da obra que a inspirou, a série não tem a intenção de ser um retrato fiel dos recentes escândalos políticos vistos nos últimos anos, embora, fatos e personagens vistos na produção, sejam facilmente reconhecidos pelo público que acompanha o noticiário político do Brasil.

"O Mecanismo" narra os eventos ocorridos na Operação Lava Jato, suas consequências e mistura personagens que têm seus equivalentes na vida real e outros totalmente fictícios.

Como por exemplo, o protagonista Ruffo (Selton Mello), um ex-delegado da Polícia Federal obcecado por prender o doleiro Roberto Ibrahim (que seria o doleiro Alberto Youssef).

A paranoia de Ruffo nesta segunda temporada alcança nível preocupante, com o personagem amargando seguidas derrotas que lhe causam a perda de sua família e de um grande amigo.

Selton Mello é um dos destaques da série e também se destaca ao fazer a tradicional marca registrada de José Padilha, a narração em off.

Já no primeiro episódio, Ruffo diz que o país está muito estranho, pois se ele aponta o dedo para um político mal intencionado de esquerda, o personagem será chamado de fascista, e se ele criticar um malfeitor da direita, será chamado de esquerda caviar.

Este texto dito pelo personagem talvez seja uma crítica ao que o próprio Padilha sofreu desde a primeira temporada, em que muitos o acusavam de atacar a esquerda, enquanto outros diziam que a série era um ataque à direita.

A segunda temporada dá um destaque maior para os personagens fictícios, como o já citado Ruffo, e também para sua pupila Verena (Caroline Abras).

Abertura polêmica

A nova abertura apresenta cenas de personagens reais da política brasileira. Estão lá os ex-presidentes Dilma Rousseff, José Sarney, Tancredo Neves, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Itamar Franco e Michel Temer.

Também são mostrados ex-governadores como Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves, Luiz Fernando Pezão, entre outros políticos.

Se em sua primeira temporada a produção retratou o ex-juiz da Lava-Jato, Sergio Moro, como herói, desta vez o personagem que o representa, o juiz Paulo Rigo (Otto Jr.), mostra-se bem mais vaidoso do que na temporada anterior. José Padilha abusa do simbolismo para mostrar as possíveis intenções políticas do juiz.

Mesmo com um elenco afiado e com um texto ácido ao mostrar os conchavos políticos, a série não apresenta resultados consistentes.

Uma terceira temporada é possível, afinal de contas, a operação Lava Jato ainda está em atividade, mas não parece que isto irá acontecer, pois, o personagem Ruffo teve a sua redenção em um final pouco verossímil.

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