Morreu na tarde desta quarta (19) o cineasta José Mojica Marins. Ele era mais conhecido do grande público por seu personagem Zé do Caixão [VIDEO]. José Mojica realizou mais de 40 filmes, boa parte deles com o seu inesquecível personagem. A causa da morte foi broncopneumonia. A morte do artista foi confirmada por sua filha, Liz Marins.

O artista tinha 83 anos e estava internado há cerca de 20 dias no hospital Santa Maggiore. Ele estava internado desde quando contraiu uma infecção que evoluiu para uma pneumonia.

Neste meio tempo, ele chegou a ser entubado, e os tubos foram retirados quando ele apresentou uma melhora no quadro, porém, sua situação voltou a piorar na terça-feira.

Os problemas de saúde de Mojica (como era chamado pelos fãs) aumentaram desde que sofreu um infarto em 2014. Depois que seu rim ficou comprometido, ele passou a fazer diálise três vezes por semana, e depois diminuiu para duas. Mas o cateter fixo colocado para a realização do procedimento causava infecções constantes, como a ocorrida em janeiro.

O cineasta não estava mais aparecendo em público nos últimos anos devido à sua saúde debilitada e a uma degeneração mental causada pela idade. O filho de José Mojica, Crounel Marins, afirmou não se tratar de Alzheimer, e sim um problema da idade. Crounel disse que o pai sempre fumou exageradamente, também bebia, sua alimentação era ruim, além de não fazer exercícios físicos, afirmou o filho de Mojica.

'Sexta-feira 13'

O cineasta nasceu na data que é considerada o dia do azar e também é comumente associada a elementos místicos. Foi neste dia, no mês de março de 1936, que o cineasta autodidata nasceu. Seu pai era um gerente de um Cinema na Vila Anastácio, localizada na zona oeste de São Paulo.

Ele lhe deu uma câmera de presente de aniversário, o jovem então produziu uma série de curtas com os colegas do bairro.

Seu primeiro estúdio cinematográfico, na virada da década de 1940 para a década seguinte, funcionava em um galinheiro improvisado.

Seu primeiro longa-metragem foi realizado em 1958 e se chamava “A Sina do Aventureiro”. Seu sistema de produção era o mesmo usado quando ele ainda era um adolescente. Todos os atores e equipe técnica eram iniciantes que pagavam para participar de seus filmes por meio de cotas e desta maneira, a obra era financiada. Ele dava aulas de filmagem e interpretação, ele espalhava fotos suas com diversas emoções e então seus alunos se inspiravam nas fotos para aprenderem.

Pesadelo

Em 1962, ele fez seu segundo filme, que também não obteve sucesso comercial. Até que, em 1963, José Mojica teve um pesadelo que iria mudar sua vida e, por consequência, o cinema nacional de terror. Ele sonhou que um espírito o tirava da cama e o levava para um cemitério, onde apontava seu túmulo, com seu próprio nome, sua data de nascimento e a de sua morte.

Zé do Caixão

Mojica contava que, neste sonho, fechou seus olhos para não saber a data em que iria morrer, e acordou molhado de suor. Naquela mesma manhã, ele ditou para uma de suas alunas o roteiro de “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, que contava a história de um coveiro interiorano que tinha desprezo pelas pessoas de fé, ignorava rituais religiosos e estava à procura de uma mulher para gerar seu filho perfeito.

Nascia então Zé do Caixão, o primeiro personagem de terror do cinema nacional.

'À Meia-Noite Levarei Sua Alma'

Zé do Caixão apareceu pela primeira vez em 1964, no filme “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”. A produção foi um sucesso de público e então o cineasta pôde pagar suas dívidas pessoais, assim como também o tornou um dos nomes mais reconhecidos da Boca do Lixo.

Produção difícil

A produção do filme foi difícil, seus pais tiveram que vender um carro e móveis, o próprio cineasta vendeu tudo o que possuía, mas o esforço fez com que ele conseguisse contratar uma equipe por apenas 19 dias. A equipe era composta de profissionais que já haviam trabalhado com outros diretores e ridicularizaram Mojica e seu estranho personagem, com sua cartola e suas unhas grandes.

Primeiro porre

Depois das filmagens, ele tomou seu primeiro porre, um hábito que viria a fazer parte de sua vida. O cineasta estava em condições financeiras precárias, então ele vendeu para um de seus atores todos os direitos do filme, por um valor bem inexpressivo. José Mojica cometeu vários erros como este durante toda a sua carreira. De acordo com jornais da época, o filme foi um sucesso de bilheteria, com filas dando voltas nos quarteirões do centro de São Paulo.

Novas produções

O filme “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” ganhou uma continuação em 1966 chamada “Esta Noite Encarnarei seu Cadáver”.

Em 1968 ele dirige “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, neste filme são vistos três contos. Curiosamente, seu personagem mais famoso não participa desta produção. Ainda em 1968 ele faz sua estreia na TV Tupi com um programa com este mesmo nome.

O programa era uma versão de uma atração da TV Bandeirantes que José Mojica havia participado no ano anterior. No programa, seu personagem Zé do Caixão colocava os alunos de sua escola de interpretação para atuarem em histórias assustadoras, porém na nova emissora o programa já não tinha mais a mesma pegada e ganha tons mais oníricos, o que acabou não agradando ao público.

Em uma tentativa de recuperar a audiência, lhe foi sugerido que ele incluísse um poema de Pablo Neruda na atração, no que ele disse: “Poesia? Isso é coisa de v****?”. Mojica acabou sendo demitido três meses depois.

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