O último 10 de abril foi considerado um dia épico para a Ciência. Nessa quarta-feira (10), cientistas revelaram os resultados de um importante estudo e apresentaram a primeira observação direta de um buraco negro --um enigma do universo.

O estudo científico foi desenvolvido por meio de um projeto internacional chamado Event Horizon Telescope (em português, Telescópio do Horizonte de Eventos). O anúncio da primeira imagem registrada de um buraco negro foi feito por cinco países que colaboram com o projeto EHT.

Há mais de dez anos uma grande equipe de pesquisadores científicos reúnem esforços para decodificar a coleta dos dados captados por uma rede de radiotelescópios sincronizados no espaço.

Foi assim que, durante cinco dias, a rede de oito radiotelescópios, incluindo o telescópio de 30 metros de Pico Veleta, em Serra Nevada (Espanha), foram sincronizados com relógios atômicos para observar o centro do universo.

Essa técnica foi desenvolvida nos anos 1970 e foi batizada como Interferometria de Base Muito Longa (VLBI, na sigla em inglês). O sistema permite obter imagens detalhadas. Sem ele a observação só seria possível com um telescópio gigante, do tamanho do planeta Terra.

Um buraco negro não emite luz, portanto, não pode ser visto a olho nu. No entanto a imagem revelada pela equipe de astrônomos é na realidade a sombra que ele emite na sua vizinhança brilhante.

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Por conta das altas temperaturas, o gás que cai sobre o buraco negro esquenta e ilumina os arredores do evento.

Isso significa que os raios de luz próximos ao buraco negro são desviados e distorcidos pelo seu intenso campo gravitacional. Assim, as margens do buraco negro, que segue em constante rotação, marcam o ponto em que nem a luz escapa da gravidade.

Einstein estava certo

A imagem capturada pelo EHT impressiona pela semelhança com as simulações apresentadas inclusive pelo cientista alemão Albert Einstein.

Há mais de cem anos, Einstein calculou que a força gravitacional poderia distorcer o espaço-tempo. Esse estudo ficou conhecido como teoria geral da relatividade.

Seus estudos faziam a suposição de que um corpo com densidade muito alta poderia se esconder atrás do horizonte do universo, fronteira onde a atração do buraco negro é inescapável. O estudo é, portanto, a soma da teoria e da observação.

A divulgação dos resultados dessa importante pesquisa científica sobre buracos negros ocorreu durante uma entrevista coletiva simultânea realizada nas cidades de Washington (EUA), Bruxelas (Bélgica), Santiago (Chile), Xangai (China), Taipé (Taiwan) e Tóquio (Japão).

O evento foi organizado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos. Os detalhes do fenômeno foram publicados numa série de seis artigos na renomada revista científica Astrophysical Journal Letters.

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