Com os aumentos sucessivos no valor do gás de cozinha, diversas pessoas estão adotando costume de décadas passadas, o uso do fogão a lenha. O enfermeiro, Alexandre Leite, morador de Belo Horizonte, afirma que a solução tem sido utilizar o mínimo possível o fogão a gás. “Estou usando mais o fogão a lenha do que o a gás e com isso tenho economizado muito”, disse o enfermeiro em entrevista à Rádio Itatiaia.

A diarista Edna Maria segue a mesma linha. “A única solução foi fazer um fogão a lenha. Eu sou diarista e no momento não tenho dinheiro pra comprar gás”, afirmou a diarista à reportagem da mesma emissora.

Celeste da Silva, dona de casa, também indagada pela Itatiaia, está inconformada com a situação. “Um absurdo! Não tá tendo condições pra sobreviver. Só Deus sabe o que a gente tem passado”, reclamou a mulher à emissora de rádio.

Preços do botijão de gás de cozinha de 13 kg em algumas capitais

  • Cuiabá-MT - R$ 105
  • Brasília-DF - R$ 98
  • Belo Horizonte-MG - R$ 97
  • Natal-RN - R$ 91
  • São Paulo-SP - R$ 90

Reajustes no valor do gás de cozinha e políticas de preço

O último reajuste do gás de cozinha aconteceu nessa terça-feira (9). Alta de 5%. Segundo o IPCA (índice Geral de Preços ao Consumidor), o aumento acumulado em 2020 foi de 8,3%.

O gás é produzido a partir do petróleo e o produto tem seu preço cotado no mercado internacional.

O preço do botijão começou a ser reajustado mensalmente no Governo de Michel Temer, em 2017.

E logo, devido à repercussão negativa, as variações foram agendadas para acontecer a cada três meses.

Atualmente, na gestão do presidente Jair Bolsonaro, os valores também seguem a tendência do mercado internacional, sem uma data certa para os reajustes.

E o que está ruim, ainda pode piorar. Num cenário ainda mais tenebroso, o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito do Petróleo (Asmirg), Alexandre Borjaili, estima que o valor do produto possa passar dos R$ 150,00 ainda este ano.

A declaração foi dada por Alexandre Borjaili, no mês passado, ao portal Metrópoles.

Gás pela metade do preço era promessa de Paulo Guedes

Em abril de 2019, o ministro da economia, Paulo Guedes, chegou a dizer que o preço do botijão de gás iria ter uma redução de 50%. “O botijão vai chegar pela metade do preço na casa do trabalhador brasileiro. Vamos quebrar os monopólios e baixar o preço do gás e petróleo”, disse o ministro do governo Bolsonaro naquela ocasião.

Em julho de 2019, Guedes voltou a falar na quebra de monopólio no lançamento do programa Novo Mercado de Gás. “Vem gás da Bolívia, do fundo do oceano, vem gás da Argentina...e nós acreditamos na queda em até 40% no preço do gás natural no Brasil. Temos a certeza que o preço vai cair!”, afirmou o entusiasmado ministro.

Até o momento, as promessas do governo federal não se confirmaram.

A política de preços adotada pelo Petrobras é alvo de muitas críticas, pois acarreta em grande oneração às famílias de baixa renda. Atualmente, cerca de 15 milhões de brasileiros recebem o Bolsa Família, no valor inferior a R$ 200. Assim, fica difícil comprar o botijão de gás e ainda arcar com todas as despesas domésticas, que já tiveram grande alta nos preços nos últimos meses.

Até nas famílias com maior renda per capita, os valores altos do botijão de gás têm trazido dificuldades no orçamento.

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