Alan García, que serviu dois mandatos como presidente do Peru, era investigado por lavagem de dinheiro, foi levado às pressas para o hospital Casimiro Ulloa, em Lima, na manhã desta quarta-feira (17). Quando os oficiais chegaram para fazer a prisão, o chefe de Estado disse que precisava falar com seu advogado e se fechou em seu quarto antes do tiro fatal.

Os promotores haviam ordenado a prisão de García por alegações de Corrupção e lavagem de dinheiro.

No centro das controvérsias está a construtora brasileira Odebrecht, cujos funcionários admitiram ter pago dezenas de milhões de dólares em propinas a altos funcionários do governo para garantir contratos lucrativos de obras públicas em todo o continente.

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O escândalo da corrupção envolveu vários ex-presidentes latino-americanos e levou a pedidos de prisão ou extradição de outros três ex-presidentes peruanos.

O ministro da Saúde, Zulema Tomas, disse a repórteres em uma coletiva de imprensa na manhã dessa quarta que García sofreu três paradas cardíacas enquanto estava no hospital.

Outros casos

A notícia do suicídio de García vem menos de uma semana depois da prisão do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski. A Justiça peruana emitiu uma ordem de 10 dias de prisão preventiva por alegações de que uma empresa de consultoria da qual ele era sócio aceitou quase US$ 1 milhão em pagamentos da Odebrecht, enquanto Kuczynski serviu como ministro do gabinete do então presidente Alejandro Toledo.

O ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas também foi condenado a seis anos de prisão em dezembro de 2017 por receber US$ 13,5 milhões em propinas da Odebrecht. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro por reformas em um sítio em Atibaia bancadas pela Odebrecht.

García, um orador hábil que liderou o poderoso partido Apra do Peru por décadas, governou como nacionalista de 1985 a 1990 antes de se refazer como defensor do livre mercado e ganhar outro mandato de cinco anos em 2006.

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No ano passado ele pediu asilo político para o Uruguai depois que ele foi proibido de deixar o país para impedi-lo de fugir ou obstruir a investigação. Ele teve seu pedido rejeitado pelo Uruguai.