Em entrevista ao vivo neste último sábado (13) ao programa "Going Underground", do canal internacional RT, o premiado jornalista australiano John Pilger, radicado na Inglaterra, abordou a prisão de Julian Assange, fundador do WikiLeaks –célebre plataforma de vazamento de documentos governamentais–, como um grande ataque ao próprio jornalismo.

Segundo Pilger, a história ensina que a prisão de Assange, que utiliza o jornalismo como meio para publicar verdades ao público, é um aviso de que tal injustiça pode acontecer com qualquer pessoa.

Grandes jornais podem ser alvo

As imagens do jornalista, que estava refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, sendo levado por seis policiais para uma van descaracterizada em direção à prisão, de acordo com a visão de Pilger, podem ser repetidas com editores de jornais como o The Guardian e o The New York Times.

Ainda de acordo com Pilger, o principal advogado deste jornal norte-americano disse que “se Julian Assange e o WikiLeaks podem ser processados, o mesmo pode acontecer com editores dos maiores jornais que façam bem seus respectivos trabalhos’’.

Agressão ao jornalismo

“É um ataque ao jornalismo!”, continuou John Pilger. “Mais do que isso, é um ataque à cidadania”, afirmando mais uma vez que se trata de uma clara mensagem para qualquer pessoa no mundo.

“Julian era um acreditado beneficiário de toda noção sobre asilo”, enfatizou John Pilger, lembrando ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) fez declarações bem claras a respeito dessas questões no caso de Julian Assange.

A história se repete

John Pilger comparou com as ações da antiga KGB a conduta do novo presidente do Equador, Lenín Moreno, que suspendeu os acordos de asilo firmados com Julian Assange por seu antecessor, Rafael Correa, e ordenou que policiais o conduzissem à prisão inglesa com risco de ser extraditado para os Estados Unidos, podendo ser acusado de graves crimes com duras sentenças, como já foi ameaçado em discursos políticos naquele país.

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Curiosidades Corrupção

O célebre jornalista lembrou durante a entrevista que ele cobriu desde a União Soviética nos anos de 1970, em plena guerra fria, e presenciou acontecimentos muito semelhantes, ao reafirmar que a história está repleta de lamentáveis casos assim, ilustrando sua própria experiência como exemplo de uma história não tão recuada assim.

Entenda o caso

Julian Assange foi preso na última semana, depois de sete anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres, onde estava porque sua prisão havia sido pedida na Suécia em um caso de estrupo que posteriormente foi arquivado, mas, por ter faltado à audiência que havia sido intimado para ir a um tribunal inglês, onde estava residindo na época, ficou dependendo de um perdão formal da justiça inglesa, que mantinha policiais em constante vigilância ao redor da embaixada equatoriana para prendê-lo caso tentasse escapar do país.

Por ter exposto crimes de guerra dos Estados Unidos no Afeganistão, correspondências diplomáticas secretas daquele mesmo país e muitos documentos comprometedores que foram vazados por ex-funcionários para sua publicação eletrônica, o WikiLeaks, o jornalista preso temia que as acusações que lhe foram feitas seriam pretextos para prendê-lo e extraditá-lo para os Estados Unidos, onde pesam as maiores acusações que lhe são atribuídas, motivo pelo qual Assange pediu asilo na embaixada do Equador, e, posteriormente, lhe foi concedida a cidadania equatoriana para sua proteção.

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