Mundo

Alegação: OMS concluiu que pacientes assintomáticos não transmitem Covid-19

Fato: Maria Van Kerkhove, líder da resposta da OMS (Organização Mundial da Saúde) à pandemia de coronavírus, disse durante coletiva de imprensa em Genebra na última segunda-feira (8): “A partir dos dados que temos, ainda parece raro que uma pessoa assintomática realmente transmita adiante para um indivíduo secundário”. Após essa afirmação, a interpretação equivocada de que pacientes assintomáticos não transmitem o novo coronavírus começou a circular nas mídias sociais.

Verdade: Na terça-feira (9), durante uma sessão de perguntas e respostas nas redes sociais, Van Kerkhove disse: "Eu usei a frase 'muito raro' e acho que é um equívoco afirmar que globalmente a transmissão assintomática é muito rara. O que eu estava me referindo era um subconjunto de estudos.

Eu também estava me referindo a alguns dados que não estão publicados”. "Sabemos que algumas pessoas que são assintomáticas, ou que não têm sintomas, podem transmitir o vírus. Então, o que precisamos entender melhor é quantas pessoas na população não apresentam sintomas e, separadamente, quantas dessas pessoas transmitem para outras pessoas", concluiu ela. Durante a mesma sessão de perguntas e respostas, Michael Ryan, diretor do programa de emergências de saúde da OMS, disse estar "absolutamente convencido" de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo e que "a questão é saber quanto".

EUA

Alegação: LEGO interrompeu venda de brinquedos com tema da polícia e da Casa Branca após a morte de George Floyd

Fato: Brad Pascale, gerente de campanha do presidente dos EUA, Donald Trump, compartilhou uma postagem no Twitter dizendo que o grupo LEGO estava “removendo brinquedos com policiais, bombeiros e veículos de emergência.

Inclusive descartando um kit adulto da Casa Branca”.

Verdade: Um porta-voz da LEGO explicou que a empresa de brinquedos havia acabado de fazer uma pausa no marketing digital em meio aos protestos nacionais contra a violência policial e a morte de George Floyd. Conforme relata o site Slopes, o porta-voz escreveu: "Há informações incorretas de que removemos alguns produtos LEGO do mercado.

Para deixar claro, isso não ocorreu e essas informações são falsas. Nossa intenção era interromper temporariamente a publicidade digital em resposta a eventos nos EUA. Esses produtos estavam disponíveis na semana passada e sempre estarão disponíveis para nossos consumidores. (...) Dados os trágicos eventos nos EUA nos últimos 10 dias, interrompemos o marketing digital de produtos com conteúdos que poderiam ser considerados insensíveis se promovidos durante esse período”.

Brasil

Alegação: Criança foi morta em incêndio causado por grupo antifascista nos Estados Unidos

Fato: Em 30 de maio, segundo dia de protestos pelo assassinato de George Floyd por um policial, houve um incêndio em um prédio residencial na cidade de Richmond, no estado americano da Virginia.

Após esse episódio, começaram a circular rumores nas redes sociais brasileiras. A alegação era de que o incêndio foi causado por um grupo fascista e que uma criança morreu.

Verdade: Os departamentos de polícia e bombeiros de Richmond apresentaram versões diferentes do ocorrido. Christopher Armstrong, tenente dos bombeiros de Richmond, disse que os manifestantes não atearam fogo no edifício. Segundo ele, um incêndio em um carro se espalhou para o prédio e afetou apenas o exterior da construção. Por outro lado, o chefe da polícia de Richmond, Will Smith, declarou durante uma coletiva de imprensa que os manifestantes "intencionalmente incendiaram no edifício". Ambos, no entanto, concordam que ninguém morreu no incêndio.

EUA

Alegação: Manifestante em Buffalo é "provocador antifa" e tentava "escanear" equipamento policial

Fato: Durante um protesto no último dia 4 de junho em Buffalo, no estado americano de Nova York, Martin Gugino, 75 anos, foi hospitalizado após ser empurrado pela polícia e bater a cabeça no chão. Em 9 de junho, o presidente Donald Trump tuitou: “O manifestante empurrado pela polícia em Buffalo pode ser um provocador antifa. Martin Gugino, de 75 anos, foi afastado após aparentemente escanear a comunicação da polícia a fim de desativar o equipamento. Eu assisti, ele caiu mais forte do que foi empurrado. Estava mirando o scanner. Pode ser uma armação?”. A alegação parece ter surgido em um post de um blog conservador publicado em 6 de junho e amplamente compartilhado nas redes sociais.

Depois disso, a história foi compartilhada pelo canal conservador One America News Network (OANN), que citou como fonte um artigo do site Conservative Treehouse (CTH). Foi esta emissora que Trump citou em seu tuíte.

Verdade: Gugino é ativista há décadas e desenvolve trabalhos com a People United for Sustainable Housing Buffalo e o Western New York Peace Center. Nenhuma dessas organizações pode ser considerada como parte do suposto movimento "antifa", que na verdade não é uma organização, mas um movimento descentralizado que reúne anti-fascistas de extrema esquerda. Segundo a emissora RNS, Tom Casey, coordenador local em Buffalo do movimento católico para a paz Pax Christi, disse que Gugino era opinativo, mas sempre respeitoso.

“Eu nunca o ouvi usar uma palavra vil ou zangada contra alguém e passei muito tempo conversando com ele", disse. De acordo com a advogada de Gugino, Kelly Zarcone, "ninguém da polícia sequer sugeriu isso, então não sabemos por que o presidente dos Estados Unidos faria acusações tão sombrias, perigosas e falsas sobre ele".

Sobre a alegação de que Gugino estava tentando "escanear as comunicações policiais para desativar o equipamento", as imagens mostram Gugino se aproximando dos policiais segurando o que parece ser um telefone celular. Apesar de alguns aplicativos alegarem poder ouvir a frequência da polícia, eles não permitem que alguém interfira em um dispositivo policial ou “desative o equipamento”.

Em entrevista ao site ao Factcheck.org, Adam Scott Wandt, professor assistente de políticas públicas da Faculdade de Justiça Criminal John Jay, disse que o objeto na mão de Gugino não se parece em nada com um bloqueador de radiofrequência e, mesmo que fosse, "não há razão para que ele precisasse estar próximo ao oficial" para operá-lo. Além disso, a polícia de Buffalo diz que seus canais de comunicação não são criptografados e que inclusive existem sites que transmitem as chamadas policiais.

Índia

Alegação: Elefanta selvagem grávida foi morta na floresta de Kerala por dois homens muçulmanos

Fato: Na semana passada, Amar Prasad Reddy, que se identificou como assessor de mídia do Ministério da Saúde e Bem-Estar Familiar de Kerala, tuitou que dois muçulmanos foram presos depois de matar uma elefanta grávida.

Em alguns países foi relatado que o elefante morreu depois de comer um abacaxi cheio de explosivos: “Uma pessoa foi presa hoje. Há mais acusados ​​no caso e os esforços estão para prendê-los”, disse o ministro da Floresta de Kerala, K Raju, a jornalistas na sexta-feira. O nome do detido é P. Wilson, que trabalha como seringueiro, conforme relatado pelo The NewsMinute. No entanto, horas antes da divulgação da informação, começaram a circular no Twitter mensagens com dois nomes muçulmanos e cheias de ódio antimuçulmano.

Verdade: Às 16h55 da quinta-feira, Amar Prasad Reddy tuitou: “Amzath Ali e Thamim Shaikh foram presos pelo caso da morte da elefanta em Kerala. Exijo que a @CMOKerala faça a investigação transparente, sem piedade baseada em religião, casta ou credo”.

O tuíte foi compartilhado mais de 7,9 mil vezes e recebeu mais de 12,1 mil curtidas. Sua alegação gerou vários tuítes antimuçulmanos. Na quinta-feira, o governo e a oposição no estado condenaram a campanha de ódio que foi construída usando a indignação pela morte do elefante.

Tanzânia

Alegação: Presidente Magufuli proibiu máscaras em locais públicos

Fatos: Várias postagens compartilhadas nas redes sociais afirmam que o presidente da Tanzânia, John Magufuli, havia declarado que usar máscaras espalharia medo e preocuparia visitantes estrangeiros.

Um tuíte supostamente escrito pelo presidente foi usado para provar essa alegação, bem como uma nota à imprensa datada e assinada de sua cidade natal, Chato.

Verdade: De acordo com a BBC, o tuíte provou ser falso e a nota à imprensa foi forjada. A BBC acrescenta que o presidente Magufuli estava em Dodoma na época, e não em Chato, como disse o comunicado à imprensa. Além disso, o porta-voz do presidente pediu às pessoas que desconsiderem o boato. O governo da Tanzânia está pedindo a seus cidadãos que usem máscaras e pratiquem o distanciamento social.

Mundo

Alegação: Motoristas têm permissão para atropelar manifestantes

Fatos: Uma captura de tela de uma postagem originalmente do site de perguntas e respostas Quora foi amplamente compartilhada nas mídias sociais, dizendo: “Se os manifestantes começarem a bater em suas janelas a qualquer momento, ameaçando você e tentando entrar em seu veículo, você pode pisar no acelerador e passar por cima deles”.

As legendas insinuavam que essa prática não seria “ilegal”.

Verdade: A captura de tela mostra um texto retirado do Quora e que foi retirado do contexto ao ser cortado. O texto inteiro é mais detalhado e mais longo e começa dizendo que o motorista deve estar em velocidade muito baixa para dar aos manifestantes a chance de abrir caminho. Além disso, esse post original é falso, como a Reuters especifica, já que o motorista pode enfrentar acusações de homicídio se deliberadamente atropelar um manifestante (ou alguém andando na rua). Se um cenário como esse acontecer, o motorista terá que provar na Justiça que não havia outra maneira de se proteger da morte ou de danos graves.

Reino Unido

Alegação: Brasão real desapareceu dos portões do Palácio de Buckingham

Fatos: Várias postagens foram compartilhadas nas redes sociais, mostrando um vídeo do Brasão Real desaparecido no portão do Palácio de Buckingham.

O vídeo foi visto mais de meio milhão de vezes, como publicado pela Reuters. No vídeo, uma voz está dizendo que outras atividades incomuns foram vistas do lado de fora da porta da residência da rainha Elizabeth 2ª, como as janelas sendo "fechadas" e os guardas reais sendo substituídos por Gurkhas.

Verdade: O brasão não desapareceu. Ele foi danificada em outubro de 2019 e está sendo restaurado, confirmou o palácio à Reuters. Além disso, um porta-voz do palácio disse que as janelas foram cobertas com uma película protetora para proteger os tecidos do interior do edifício de "danos causados ​​pela luz ultravioleta durante o trabalho de reforma". O porta-voz também disse à Reuters que "era rotina o pessoal de serviço de outras unidades proteger as residências reais".

Paquistão

Alegação: Zohra Shah, garota de 8 anos morta no Paquistão, é a criança nas fotos compartilhadas nas redes sociais

Fato: Na semana passada, uma empregada de oito anos foi morta pelos patrões por libertar os papagaios deles de uma gaiola. O caso se espalhou pelas mídias sociais, e várias fotos e ilustrações associadas à história circularam com pedidos de justiça. No entanto, essas fotos estão erradas.

Verdade: Uma das fotos comumente usadas para mostrar Zohra Shah na verdade representa Bramsh Baloch, ferida em 26 de maio de 2020, no Paquistão. A imagem pode ser facilmente encontrada no Twitter com a hashtag #JusticeForBramsh, como publicado no site italiano Open.online. Além das fotos, uma ilustração que mostra uma garota de olhos fechados, trancada em uma gaiola, também se espalhou nas redes sociais. No entanto, ela não representa Zohra. Esta imagem foi produzida por Elisa Macdonald, que a publicou em sua página do Facebook em 27 de março com a seguinte descrição: "Postando uma pintura antiga todos os dias durante o confinamento da Covid-19 na África do Sul ... Dia 1: 'Garota em uma gaiola dourada'. Se cuide".

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