O tribunal de Hamburgo, na Alemanha, condenou Bruno D., ex-guarda de um capo de concentração nazista, aos 93 anos, Bruno provavelmente será o último homem a ser julgado por envolvimento ativo no holocausto.

Bruno serviu no campo de concentração e extermínio de Stutthof, no período de agosto de 1944 a abril de 1945. O ex-guarda é acusado de cúmplice de homicídio no extermínio de 5.230 pessoas no período.

Julgamento

O ex-guarda nazista foi julgado por um tribunal juvenil, pois na época do Holocausto, enquanto prestava serviços no campo de concentração, Bruno D. tinha apenas 17 anos.

Sem precisar cumprir pena em regime fechado, o ex-guarda não ficará preso, pois foi condenado a uma pena suspensa de 2 anos.

A pena suspensa não é uma absolvição do crime cometido.

De acordo com determinação imposta pelo tribunal, qualquer pessoa que trabalhou como vigia em um campo de concentração nazista, é supostamente considerado cúmplice dos assassinatos. Essa decisão foi tomada 75 anos após o fim do regime nazista na Alemanha.

O processo de acusação contra o ex-guarda Bruno D. foi realizado por 35 sobreviventes do holocausto, somando ao todo 40 coautores. Parte deles participou do julgamento no papel de testemunha, dois testemunharam através de chamada de vídeo e quatro deles presencialmente.

Durante os relatos foram relembradas as situações de maus-tratos, espancamentos diários, a execução de pessoas a fraqueza resultante da fome e a epidemia de tifo, uma doença bacteriana transmitida a humanos por meio de animais, sendo comum em áreas de extrema pobreza e sem higiene adequada.

Declarações de Bruno

Durante seu julgamento na segunda-feira (20), o ex-guarda Bruno se desculpou com as vítimas do nazismo e com seus familiares. Classificando o período como um "inferno de loucura", ele afirmou que algo assim jamais deve acontecer novamente.

Bruno ainda esclareceu durante a audiência que jamais se voluntariou ou desejou fazer parte do grupo militar nazista, muito menos decidiu trabalhar em um campo de concentração.

De acordo com a defesa do ex-guarda, as atrocidades cometidas no interior dos campos nazistas só chegaram a seu conhecimento após depoimentos de sobreviventes.

O advogado de defesa, Stefan Waterkam, também argumentou que diante das circunstâncias da época, Bruno não teve direito de escolha. Outro fato levantado pela defesa foi de que a profissão de vigia ou qualquer outro cargo em campos de concentração estatal eram comuns, e não configuram nenhum crime.

Bruno passou um período em campos de prisioneiros após a derrota do nazismo, voltando à vida normal um tempo depois, se casando e se tornando pai de duas meninas.

Julgamentos finais

Esse foi mais um entre muitos julgamentos que aconteceram nos últimos dez anos relacionados ao nazismo. Alguns casos que estavam pendentes foram arquivados pela Justiça devido à idade dos acusados e incapacidade de responder à Justiça.

O campo de concentração de Stutthof abrigava 115 mil prisioneiros, sendo a grande maioria judeus. Estima-se que 65 mil pessoas foram mortas no local. Um dos primeiros a ser construído fora da Alemanha de Hitler, foi feito com o objetivo de capturar prisioneiros políticos da Polônia.

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