Sergio Camargo, que ocupa o cargo de presidente da Fundação Cultural Palmares proferiu uma série de palavrões para classificar o movimento negro no Brasil e ainda usou um palavrão para se referir a Zumbi dos Palmares, acusado por ele de escravizar negros. Camargo ainda ofendeu uma mãe de santo e prometeu que iria mandar para a rua diretores da autarquia que não tomarem para si a “meta” de demitir um “esquerdista”.

Camargo fez as afirmações durante uma reunião com dois servidores, ocorrida no dia 30 de abril. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo, que conseguiu o áudio deste encontro e apurou que o objetivo da reunião era falar sobre o desaparecimento do celular corporativo do presidente da Fundação Palmares.

Sergio Camargo não gostou de ser cobrado pelo ressarcimento do aparelho e se irritou, alegando que o celular sumiu no período que ele esteve afastado do cargo, por uma decisão judicial.

Na conversa, Camargo disse que tinha deixado o celular em uma gaveta da autarquia e insinuou que isto poderia ter sido de propósito, com a intenção de prejudicá-lo. É neste momento que ele ofende o movimento negro. Afirmou ainda que exonerou três diretores e que poderia ter sido qualquer um deles que pegou o celular para prejudicá-lo. Ele também disse acreditar que alguém poderia invadir o prédio para espancá-lo.

Afastamento da presidência

O polêmico presidente da Fundação Palmares falou aos dois servidores, sendo um deles coordenador de gestão, que ele havia sido afastado do comando da instituição pelo período de três meses, por causa de uma liminar que censurou suas declarações nas redes sociais.

Na ocasião, a Justiça entendeu que as declarações em que ele minimizava o crime de racismo, seriam incompatíveis com o cargo. Ele afirmou que por causa da determinação da Justiça, que causou sua suspensão, ele teria que devolver aos cofres públicos seu salário de dezembro do ano passado e que iria tentar parcelar este débito em dez vezes, pois havia contraído uma dívida de cerca de R$ 50 mil.

Entre um e outro palavrão, Camargo assegurou que o processo para retirá-lo do comando da fundação não irá “dar em nada”, pois haveria tido “usurpação” do poder do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Sergio Camargo afirmou que as pessoas de esquerda não admitem um negro de direita e disse ainda que irá estabelecer metas para os diretores, que cada um deles terá que lhe entregar um esquerdista e, quem não o fizer, irá sair da Fundação Palmares.

Liberdade de expressão

Assim é que Camargo entende que suas opiniões devem ser tratadas e mais uma vez ele criticou Zumbi dos Palmares, a figura histórica que nomeia a autarquia. Ele disse que não é obrigado a admirar Zumbi dos Palmares, que em sua opinião escravizava negros. Além de dizer que não tem que apoiar a agenda da consciência negra.

No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou representação à Procuradoria da República no Distrito Federal, em que pedia que Camargo respondesse na Justiça por improbidade administrativa. A determinação foi feita após a determinação de Camargo, no dia 13 de maio –data de aniversário de 132 anos da abolição da escravatura– de publicar uma série de artigos ofensivos sobre Zumbi no site oficial da autarquia e nas redes sociais.

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