"Não é Não", diz a campanha de cunho feminista que busca conscientizar contra o assédio durante o Carnaval. O que não era esperado é que a mesma fosse alvo de críticas negativas. O deputado estadual Jessé Lopes (PSL-SC) fez uma declaração no sábado (11), por meio de suas redes sociais, defendendo o assédio como prática naturalizada que, segundo suas palavras, "massageia o ego", o que acabou, mais recentemente, necessitando de melhores explicações por parte do parlamentar.

Em suas redes sociais o deputado declarou que homens e mulheres gostam de ser assediados, que isso "massageia o ego", e completa dizendo que "após as mulheres já terem conquistado todos os direitos necessários, inclusive tendo até, muitas vezes, mais direitos que os homens, hoje as pautas feministas visam em seus atos mais extremistas TIRAR direitos.

Como, por exemplo, essa em questão, o direito da mulher poder ser 'assediada' (ser paquerada, procurada, elogiada...)".

Segundo ele, as queixas não são feitas pelas mulheres que sofrem o assédio, mas sim por mulheres frustradas que não são assedias nem em frente uma construção civil.

A realidade do assédio nas ruas

A declaração do deputado foi feita de forma desconexa com a realidade da maioria das brasileiras, que vivenciam diariamente casos de assédio e declaram repudiar tais acontecimentos. Esses atos tornam-se mais frequentes no Carnaval, por vários motivos, como pelo excesso do consumo de álcool, pela maior liberdade propiciada pelo feriado, ou até mesmo pela cultura, que naturalizou situações de impertinência por partes de homens em relação a mulheres.

Fato é que, sendo a favor ou contra, o discurso do deputado vai de encontro com diversos movimentos feministas que buscam maior liberdade para as mulheres, considerado ofensivo e de mau gosto por muitas, inclusive eleitoras do próprio partido.

Campanha contra assédio (Não é Não)

No ano de 2019 a campanha “Não é Não” ganhou força nos carnavais pelo Brasil. A campanha surgiu na mesma época em que foi sancionada a lei de importunação sexual, no fim de 2018, em outras palavras, a norma tem como proposta tornar ilegais atos impertinentes às mulheres contrários à lei, como passar a mão inconvenientemente, agarrar e beijar a força, podem ser consideradas importunação, sendo assim, sujeita a pena que vai de 1 a 5 anos de prisão.

A campanha consiste na distribuição de tatuagens adesivas com os dizeres “Não é Não”, em festividades, como o Carnaval. O objetivo da campanha é ajudar a conscientizar sobre o que pode ser ou não abusivo e trazer visibilidade a uma questão que se tornou tão banal nesse tipo de festa.

Declarações

O Conselho Estadual do Direito da Mulher, que considerou a declaração do deputado ofensiva, afirmou que irá buscar através de meios legais as providências cabíveis.

Para o órgão, depoimentos como o do deputado contribuem para o aumento da violência contra mulher e atrapalham campanhas públicas efetivas de gênero.

Em nota à emissora NSC, afiliada da Globo na região, Jessé declarou ser contrário ao feminismo ou qualquer outro movimento de classes, por considerá-los segregadores. Afirmou ainda que este tipo de movimento tira direito das mulheres e tem como consequência deixá-las mais descuidadas com a aparência.

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Diz também que o termo “assédio”, utilizado em suas declarações, diz respeito a paqueras ou cantadas, e que a mídia distorce suas palavras para parecer uma violência.

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