No dia 15 de março o repórter da CNN Brasil Leandro Magalhães foi pego de surpresa com a presença do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) na porta do Palácio da Alvorada, então o jornalista da emissora --que estava estreando suas atividades naquele mesmo dia-- fez uma entrevista com o mandatário.

Na ocasião, a colunista Cristina Padiglione, do jornal Folha de S.Paulo, analisou a situação e não culpou o repórter pela entrevista que não questionou o presidente da República sobre questões mais polêmicas, mas ressaltou que se não era culpa do repórter não ter sido mais incisivo com o entrevistado, caberia aos âncoras no estúdio, Monalisa Perrone e Reinaldo Gottino, ter feito este papel.

Nova chance

Leandro Magalhães teve mais uma oportunidade de entrevistar Jair Bolsonaro, a diferença é que desta vez o repórter estava em um ambiente bem mais favorável para fazer perguntas ao presidente. Mais uma vez Padiglione analisou o desempenho do repórter e, mais do que isso, analisou também qual será o papel da CNN Brasil no que diz respeito ao seu direcionamento político.

O novo encontro entre o repórter da CNN Brasil e seu entrevistado o presidente do Brasil, aconteceu no último sábado (21), em uma conversa previamente marcada dentro da residência presidencial, com Bolsonaro posicionado atrás de uma mesa usando um microfone de lapela.

O repórter estava tão distante de Bolsonaro que nem aparece no vídeo, ou mesmo na edição disponível no site da emissora.

O que indica que a equipe tomou precauções para não se aproximar de uma pessoa que teve 23 integrantes de sua comitiva da viagem aos EUA infectadas com o novo coronavírus.

Padiglione analisou que Magalhães desta vez fez perguntas que precisavam ter sido feitas, mas também deixou de abordar temas importantes, como por exemplo, faltou perguntar ao presidente sobre as manifestações ocorridas em bairros nobres de diversas capitais do país.

Crise diplomática

Bolsonaro não ouviu nenhum questionamento do repórter sobre a gafe diplomática causada por seu filho “03”, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) com a China, o filho do presidente culpou o país pelo novo coronavírus, e para tornar a situação mais inaceitável, o chanceler Ernesto Araújo resolveu colocar mais lenha na fogueira ao endossar a acusação sem provas do filho de Jair Bolsonaro.

'Gripezinha'

E mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro dá mostra de que não está tratando a grave situação enfrentada pelo Brasil e pelo mundo todo com a devida seriedade que o tema merece ser tratado, na entrevista ele voltou a chamar a Covid-19 de “gripezinha”, esta é sua impressão sobre a doença por ele ter sobrevivido a um atentado a faca.

Ele acredita que assim parecerá também para 60% da população do país que nem será atingida pela doença. Desta maneira, o presidente presta um claro desserviço ao ir na contramão dos esforços que estão sendo feitos em todo o mundo para combater a pandemia.

Bolsonaro contesta até mesmo seu próprio ministro da Saúde que usou o termo “colapso” para falar da situação em que brevemente se encontrará o sistema hospitalar do país.

Também comprou briga com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB-SP) pelas medidas tomadas por este no combate ao coronavírus.

Wilson Witzel (PSC-RJ) também foi alvo das críticas de Bolsonaro, o presidente rebateu o veto do governador do Rio de Janeiro a pousos de avião, afirmando que existe a necessidade do recebimento de insumos, medicamentos e órgãos para serem transplantados. Porém Witzel não falou que iria fechar tudo, ele apenas queixou-se de que não havia restrições, Magalhães não ressaltou isto para o presidente.

Na avaliação de Padiglione, a produção da CNN se saiu bem, embora falte mais contundência ao questionar o atual Governo diante crise atual e perante a maneira como age o líder do Executivo.

A coluna deu como exemplo de entrevista contundente, porém respeitosa, a entrevista que Ernesto Paglia fez com Regina Duarte, que foi classificada por Padiglione como uma aula de jornalismo.

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