O fim do mundo chegou ou está próximo. Não, ainda não é o coronavírus. Ou não sabemos ainda no que tudo isso vai dar. O fato é que a narrativa bíblica da Arca de Noé, que simboliza o Dilúvio e o final de um mundo conhecido numa época remota está presente em várias culturas, como mostrou matéria publicada no site da revista Superinteressante.

A história, ou a lenda, é bem conhecida: Deus se cansa da barbaridade dos homens, planeja acabar com toda sua obra terrestre e ordena a um escolhido pelo coração bom, no caso Noé, que construa um grande barco (Arca) e salve dois animais de cada espécie, além de algumas pessoas escolhidas a dedo, antes de um grande Dilúvio.

Noé obedece, apesar das dificuldades; uma grande chuva cai sobre a região inundando tudo; e a Arca fica a deriva até que as águas abaixam e todo mundo pode sair. Pelo menos é o que está na Bíblia, no livro Gênesis.

Dilúvio na Suméria

Entretanto, a mesma situação existe em outros documentos históricos e religiosos de várias culturas com pequenas variações e, evidentemente, nomes diferentes dos personagens. Uma dos textos diluvianos mais antigos foi escrito mais de mil anos antes da Bíblia e 18 séculos antes de Cristo. A narrativa suméria está no Épico de Atrahasis. E Atrahasis ("Grande Sábio, no idioma antigo da Babilônia) é o herói, ou melhor, o título desse herói que não se conhece o nome. O deus Enlil não conseguia dormir devido ao barulho feito pelos humanos e ordenou o tal dilúvio.

Outro deus da época, o Enki, avisou Atrahasis e sugeriu construir um barco salva vidas.

Ainda na Suméria, outro texto semelhante surge no poema épico Epopeia de Gilgamesh no distante século XIII a.C. O rei da suméria, Gilgamesh busca um homem ultrasábio e importal em busca da receita da vida eterna.

E encontra Utnapishtim, que é outra versão de Atrahasis. Este conta ao rei que presenciou o Dilúvio.

Até a Grécia tem o seu Dilúvio

Provavelmente foi essa narrativa que foi traduzida e reescrita na Grécia antiga. Na mitologia grega, Deucalião, o filho de Prometeu, constrói um barco para escapar de um dilúvio planejado por Zeus.

A história do Gênesis também deve ter se inspirada nos tetos sumérios, pois os hebreus estavam na Mesopotâmia (Suméria), atual Iraque na época da narrativa. Nabucodonossor II escravisou os hebreus, deportando-os para as margens do Tigre e Eufrates. Essa região não se chamava mais Mesopotâmia e sim Babilônia.

Dilúvio como mito

Todas esses textos não necessariamente refletem fatos históricos e sim relatos mitológicos para passar algum conhecimento, segundo Pedro Paulo Funari, professor de história antiga e arqueologia da Unicamp.

Nessa interpretação acadêmica, os relatos diluvianos entre mesopotâmicos, hebreus, gregos e outros povos não é um relato histórico e sim - porque não existem provas além do que foi escrito - e sim simboliza a destruição pelas águas que o autor original observou em inundações recorrentes dos próprios rios Tigre e Eufrates.

E como isso traz preocupações e faz refletir a respeito se essas inundações fossem maiores e durassem mais tempo. Acarretaria o fim do mundo conhecido, da região conhecida daquela civilização. E voltaria um dia, como sempre volta as inundações dos rios, e a vida continua.

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