Diz a sabedoria popular que "quem avisa amigo é". Este não é exatamente o caso do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem uma relação de altos e baixos com o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido).

Contudo, até mesmo Maia está alertando Bolsonaro sobre a demora do mandatário em comprar uma vacina para o novo coronavírus. O parlamentar afirmou que a demora de Bolsonaro poderá impactar negativamente o projeto de reeleição do presidente da República.

Desespero

Rodrigo Maia deu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e declarou que Bolsonaro pode sofrer um dano em sua imagem, pois as pessoas estão entrando em desespero com o avanço da segunda onda da pandemia.

Ainda que em muitos momentos o presidente da Câmara tenha estado alinhado a Jair Bolsonaro em certas pautas, Rodrigo Maia também conteve muitos arroubos do presidente da República e de seus ministros.

Agora, prestes a terminar o seu mandato na presidência da Câmara, Maia não tem poupado críticas ao chefe do executivo.

Na entrevista ao Estadão, Maia afirmou que se o ministro da Economia Paulo Guedes (desafeto declarado de Rodrigo Maia) acredita que Bolsonaro tem interesse na disputa no Congresso, (que irá acontecer em fevereiro do próximo ano) para alavancar as reformas, o que Bolsonaro quer na verdade é avançar com a agenda ideológica, alertou Maia.

O presidente da Câmara dos Deputados relatou na entrevista que até mesmo Arthur Lira, o candidato à presidência da Câmara que tem o apoio de Bolsonaro se referiu a Paulo Guedes como "vendedor de redes", ou seja, alguém que promete muito mas acaba entregando pouco.

Uma vitória do candidato de Bolsonaro na Câmara facilitará que o presidente toque sua agenda ideológica, as pautas dos costumes, a volta do voto impresso. Bolsonaro deseja se concentrar nestes assuntos que foram travados na gestão de Maia.

Crime de responsabilidade

Maia foi perguntado se acredita que o presidente da República possa vir a ser processado por crime de responsabilidade por causa de sua visão negacionista da pandemia.

O presidente da Câmara respondeu que Bolsonaro pode ter influenciado um menor isolamento em momentos importantes, mas este é um tema muito técnico.

Alguém teria que relacionar o discurso de Bolsonaro ao das pessoas terem ido para as ruas e isto ter provocado mais mortes. Isto não seria uma coisa fácil de se fazer, declarou Maia.

Impeachment

O presidente da Câmara está prestes a terminar seu mandato, ele sai com mais de 50 processos de impeachment contra Bolsonaro.

Questionado se eles são mesmo improcedentes, Maia se justificou dizendo que o país está em crise e que o impeachment, querendo ou não, é um processo político e que não pode ser usado sempre que surgir um conflito.

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