O golpe dos "nudes" é um dos que mais crescem na internet e entre as vítimas estão principalmente homens. Tudo começa quando o perfil falso de uma bela adolescente, em pose sensual, pede para ser adicionada como amiga no Facebook de algum homem. Quando este aceita, ela inicia uma conversa amena, com muitos coraçõezinhos e beijinhos e pede para continuar o papo no WhatsApp. Ali a coisa esquenta. A garota sugere trocar fotos íntimas e em algum momento irá dizer que é menor de idade, ou o próprio perfil aponta que tem entre 14 e 15 anos. Se o homem topa continuar, a fake vai envolvendo a vítima em situações mais comprometedoras e futuramente embaraçosas, com vídeos, áudios, até que esteja satisfeita em colher "provas" de um pretenso assédio.

Criminosos se identificam como pai da jovem ou delegados

Dias depois, a vítima recebe o telefonema de um homem se identificando como o pai da moça, ou um policial ou delegado, acusando-o de pedofilia e querendo dinheiro para abafar ocaso. Às vezes o pseudo pai ameaça também mostrar o caso na internet para amigos e familiares do sujeito pego de surpresa, e denunciar ainda para empresas onde a vítima trabalha, citando nomes que viu no perfil do Facebook.

Segundo o site Só Notícias, de Mato Grosso, em matéria publicada no último dia 7, isso aconteceu recentemente com Luiz Gustavo (nome fictício), de 39 anos. Em menos de uma semana trocando mensagens com uma jovem, ele procurou uma delegacia para denunciar a extorsão.

Golpe atinge principalmente homens

O delegado Ruy Guilherme Peral, titular da Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (Gecat) do Estado, contou ao jornal que esse crime se popularizou nas redes sociais e atinge principalmente homens, mas que existem casos onde mulheres também são extorquidas.

Luiz Gustavo recebeu a tal ligação de um número de Santa Catarina.

É nesse estado, e nos demais do Sul do país, onde tais crimes partem com mais frequência. Após as conversas picantes com a jovem, ele recebeu o telefonema de um homem que se dizia delegado de Polícia e que recebeu denúncia do pai da moça, menor de idade, após encontrar textos e fotos no celular dela trocadas entre ambos, acusando-o, portanto, de pedofilia.

O suposto delegado, que faz parte da quadrilha, pede então R$ 5 mil para o inquérito não ser instalado e informa a conta onde o dinheiro deverá ser depositado.

Nomes de policiais podem ser verdadeiros, mas são fakes

Outro jornal digital e especializado em crimes, o CZH Segurança, publicou em setembro do ano passado uma entrevista com o delegado (verdadeiro) Alex Assmann, de Lajeado (RS), um nome muito utilizado por estelionatários para aplicar os golpes. Desde junho do ano passado Assmann, titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento da cidade sulina do Vale do Taquari, recebe dezenas de ligações diárias de pessoas (99,9% são homens) que dizem que estão sendo chantageadas pelo policial em algum aplicativo de mensagens.

Até foto do delegado os bandidos usam para tornar o estelionato mais convincente.

Esse golpe não é novo, mas o uso de nome de delegados e policiais está sendo usado para sofisticar a chantagem. Quem confirma a prática é o delegado André Anicet, da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) do Rio Grande do Sul. Ele afirma que já identificou o nome verdadeiro de pelo menos 10 policiais, que são usados, segundo Anicet, para dar mais credibilidade à história. E afirma que muita gente prefere pagar do que responder pelo crime. Os depósitos tem variado de R$ 1 mil até R$ 3 mil.

Polícia nunca liga para suspeitos

A polícia esclarece que nunca liga para ninguém nem envia mensagens via aplicativos para suspeitos em casos desse tipo.

O rito é que o acusado, se for acusado formalmente, receba uma intimação para prestar depoimento numa delegacia.

Segundo a polícia, as fotos das moças são fake, capturadas na internet. Telefones celulares, contas bancárias e também perfis nas internet, mesmo falsos, podem ser rastreados e dar início a uma investigação.

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