Estreou na última sexta-feira (2) na Netflix o thriller “Fuja” (Run). A produção é dirigida por Aneesh Chaganty, o nome do cineasta pode não familiar à maioria do público, o diretor é o mesmo do excelente “Buscando...” (Searching) de 2018. Agora com sua nova obra, Chaganty mostra novamente que sabe trabalhar com uma trama simples e realizar algo memorável.

Síndrome de Münchhausen por procuração

Este é o nome de um tipo de transtorno em que um dos pais, na maior parte dos casos a mãe, simula algum tipo de enfermidade na criança, com o objetivo de chamar a atenção para si.

O resultado disso é que a vítima é submetida a internações seguidas e exposta a exames e tratamentos de risco e sem necessidade, causando sequelas psicológicas e também físicas, que podem causar a morte da vítima.

Tragédia

A Síndrome de Münchhausen por procuração ficou conhecida após o caso real que envolvia uma mulher chamada Dee Dee Blanchard, que fez com que sua filha Gypsy Rose acreditasse ter as mais variadas doenças e assim ficasse dependente dos cuidados da mãe. A história terminou tragicamente com a filha se vingando e tramando o assassinato da mãe.

A produção parte dessa história real para contar a história de Diane Sherman (Sarah Paulson) uma mulher traumatizada com o nascimento prematuro da filha Chloe (Kiera Allen).

A criança cresce e mesmo com todos os problemas de saúde, se torna uma adolescente alegre e extremamente inteligente.

A jovem desenvolta em tecnologia e em robótica sofre de diversas enfermidades como arritmia cardíaca, asma, diabetes, hemocromatose (excesso de ferro no sangue) e paralisia. Mãe e filha levam uma vida tranquila em um ambiente de muita cumplicidade, com Diane dedicando sua vida para tratar da filha.

Prestes a completar 18 anos, Chloe acha um frasco de remédios com o nome da mãe em uma sacola de compras, mas esses remédios são tomados pela filha. Desconfiada, a jovem interroga a mãe que tenta inventar uma justificativa, mas Chloe não acredita e Sarah e começa a desconfiar se ela realmente precisaria estar em uma cadeira de rodas.

Ela então começa uma investigação que vai levando a uma tensão que rende bons momentos.

Ainda que a trama seja bem parecida com o caso real citado anteriormente, o roteiro do próprio Aneesh Chaganty, escrito em parceria com o parceiro de longa data Sev Ohanian, guarda algumas surpresas diferentes da tragédia ocorrida na vida real.

A produção de 1h30 tem uns poucos problemas no roteiro. Até se compra a ideia de uma adolescente que, mesmo com todas as limitações que lhe foram impostas, seja uma pessoa feliz. Porém é estranho uma jovem em sua idade não se ressentir de não ter amigos e não sentir falta de uma relação romântica.

Ainda que a trama mostre que mãe e filha costumam ir ao Cinema vez ou outra, elas vivem quase que reclusas na casa, em que a única pessoa que aparece é o carteiro.

Também não se fala na trama sobre outros familiares das protagonistas. Porém esses pequenos problemas são superados com o clima claustrofóbico que Chaganty criou e as ótimas interpretações de Sarah Paulson e Kiera Allen.

Este é apenas o segundo filme de Aneesh Chaganty, que mostra desenvoltura em criar climas tensos a partir de histórias simples e com poucos personagens. Enquanto existem diretores que pecam por uma falsa grandiosidade com produções com quatro horas de duração e no final das contas não dizem muita coisa, Chaganty mostra que sabe contar uma história simples e eficiente.

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