Na noite de segunda-feira (8) e manhã de terça (9), fortes chuvas devastaram o Rio de Janeiro, deixando dez mortos. Segundo a prefeitura, a chuva que teve início na segunda e foi até terça é a maior em 22 anos. A maior parte das mortes ocorreu na zona sul da cidade, dentre eles, avó e neta que morreram dentro do carro atingido por um deslizamento de terra. Diversas ruas foram interditadas e, com o risco de deslizamentos, sirenes foram acionadas.

O prefeito da cidade, Marcelo Crivella, comentou que as chuvas são "atípicas", porém a história mostra que os temporais e toda a destruição que abala o Rio fazem parte do cotidiano há séculos.

Problemas antigos

Desde 1575, o problema das fortes chuvas do Rio de Janeiro é pontuado por escritores conhecidos, alguns deles são: Padre José de Anchieta e Machado de Assis.

Portanto, fica evidente que o problema não é atual e atípico, como disse o prefeito Marcelo Crivella. O Rio foi projetado em estreitas faixas de terra, entre pântanos e mangues, comprimido entre o mar e os morros. Além disso, a ação antrópica é um fator importante para avaliar a situação, visto que a construção das casas é algo desordenado, feitas em terrenos clandestinos, vias mal planejadas e áreas de risco.

Verba reduzida

O ano que teve o maior investimento em obras para combater enchentes, com verba de R$ 294 milhões, foi 2014.

No entanto, em um ano os valores foram drasticamente reduzidos, voltando a subir somente em 2018. O que demonstrou um corte, entre 2014 e 2018, de mais de 77%. Em 2019, nenhum dinheiro foi investido em drenagem urbana ou controle de enchentes e ainda existem comunidades, como a favela da Rocinha, que não possui saneamento básico.

O que acarreta, dentre vários problemas, o descarte do lixo nas ruas, levando ao entupimento de bueiros, enchentes e destruição.

Mortes registradas

De segunda-feira (8) até hoje, quarta-feira (10), dez mortes foram confirmadas. Sete ocorreram na zona sul da cidade, e as outras três na zona oeste. Entre os mortos estão Lúcia Xavier Sannento Neves, 63 anos, sua neta Júlia Neves Aché, 6 anos, e o taxista Marcelo Tavares Marcelino.

Os três foram encontrados mortos dentro do veículo de Marcelino que foi soterrado após um deslizamento na avenida Carlos Peixoto, que liga Botafogo e Copacabana. Outro deslizamento de terra aconteceu no morro da Babilônia, o qual matou mais três pessoas, dentre elas duas irmãs, uma de 53 e outra de 55 anos. As sirenes que alertam a população em casos como esse não tocaram.

Chuvas ainda previstas

Após temporal, as ruas continuam alagadas, várias vias que interligam bairros importantes estão interditados e a destruição ainda é grande. Crivella prometeu redobrar atenções e a tomada de providências o mais rápido possível.

Pesquisas feitas alertam que, devido aos efeitos das mudanças climáticas, tempestades como assa, que parou o Rio em pleno outono, serão mais constantes e ocorrerão inclusive fora de época.

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