Quase seis meses depois do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, ocorrido no dia 25 de janeiro, a última sobrevivente da tragédia que vitimou 248 pessoas e deixou outras 22 desaparecidas, que ainda estava internada recebeu alta hospitalar.

Talita Cristina Oliveira, de 16 anos, deixou o hospital, em Betim (MG), nesta quarta-feira (17). No período em que ficou hospitalizada, a adolescente precisou passar por quatro cirurgias no fêmur e no quadril e ainda precisa da ajuda de um andador para caminhar. Ela está fazendo fisioterapia e deve receber uma prótese no fêmur dentro de dois anos.

Talita foi uma das sobreviventes a ser resgatada de helicóptero após se vista por dois rapazes que estavam à procura de parentes e as imagens dela sendo retirada dos rejeitos rodaram o mundo.

Ela morava em uma casa perto da Pousada Instância, onde a família trabalhava e que foi devastada pelo mar de lama.

"É um barulho que não sai da minha cabeça. Eu tampei o nariz e só rezei", disse Talita em entrevista quando ainda encontra-se internada. Ela havia chegado na cidade para morar os com familiares apenas quatro dias antes do rompimento da barragem. Ela também comparou a sensação de estar em meio ao mar de lama como se estivesse dentro de um liquidificador gigante, sendo esmagada por pedra, paus, carros e girando de um lado para outro.

No momento do rompimento, a adolescente estava em casa junto com a irmã Alessandra Souza, de 43 anos, e a sobrinha, Lays Gabriele de Souza Soares, de 14. Alessandra também foi resgatada do mar de dejetos, ficou um tempo internada e depois teve alta.

Já Lays acabou sendo uma das vítimas fatais da tragédia e seu corpo foi encontrado apenas um mês depois.

“É uma mistura de alívio e vazio’, disse José Antônio Soares, cunhado de Talita e pai de Lays. Ele estava em Belo Horizonte no momento que houve o rompimento da barragem e ao saber da tragédia correu até onde ficava a pousada para saber notícias da filha.

A família agora deseja permanecer em Betim. “A gente não vai voltar mais pra Brumadinho”, disse José”.

Mochila de uma das vítimas é encontrada

No mesmo dia que Talita teve alta, as equipes de resgate que iram trabalham na busca por corpos de pessoas desaparecidas encontraram uma mochila com pertences e documentos de uma das vítimas já identificadas.

Os objetos pertenciam à Rosária Dias da Cunha e todo o material foi lacrado e enviado para o Instituto Médico Legal, onde será feito o cruzamento de dados.

O trabalho de resgate pelos desaparecidos tem sido feito diariamente por 140 homens do Corpo de Bombeiros e cães farejadores. Máquinas pesadas, drones e helicópteros também estão sendo usados nas buscas.

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