O programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibiu no último 1º de março uma reportagem sobre a problemática da saúde em presídios femininos. O programa, por ser um dos de grande audiência do país, teve grande repercussão, e a trans Suzy, que foi uma das personagens entrevistadas pelo médico Drauzio Varella, ganhou notoriedade.

Nas redes sociais, pessoas se organizaram para entregar cartas de apoio para a detenta, uma onda de empatia e comoção por parte dos internautas. No entanto, poucos dias depois foi divulgado o crime que a trans Suzy de Oliveira teria cometido.

Manifestações

Rafael Tadeu de Oliveira dos Santos, nome de batismo de Suzy, foi condenado por ter abusado de uma criança de 9 anos de idade e tirado a vida da mesma.

No país, começaram então ondas contrárias à Rede Globo. Tanto o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, quanto o atual Presidente da República se posicionaram contra a reportagem realizada pelo "Fantástico [VIDEO]".

Para Abraham, a Globo teria omitido, no mínimo, informações sobre o crime de Suzy. Com a grande repercussão do caso, a advogada da detenta divulgou na última segunda-feira (9) uma carta escrita à mão pela protagonista do caso.

Na carta, Suzy conta que em momento nenhum foi questionada sobre o crime e que hoje ela se arrepende do ato que cometeu. "Eu sei que eu errei e muito. Em nenhum momento tentei passar como inocente e desde aquele dia me arrependi verdadeiramente e hoje estou aqui pagando por tudo que eu cometi", disse.

Veja a publicação da carta na íntegra

ANTRA critica linchamento virtual

Além da carta que teria sido divulgada no perfil pessoal de uma rede social da advogada de Suzy, Bruna Castro, a ANTRA (Associação Nacional de Transsexuais e Travestis) divulgou uma nota repudiando as atitudes dos internautas e da mídia.

Segundo a associação, uma página no Instagram com mais de 100 mil seguidores está tentando manipular a opinião do povo. Na nota, a ANTRA ainda menciona que Suzy já está pagando pelo erro que cometeu e está privada de sua liberdade.

A nota revela que o perfil teria publicado várias postagens referentes ao processo da reeducanda e que essa atitude é antiética e feita com julgamentos que são subjetivos.

"Da mesma forma repudiamos, ativistas e grupos de feministas radicais que tem replicado massivamente o teor do processo que já transitou em julgado, intensificando a campanha difamatória, a fim de gerar mais ódio contra as pessoas trans e atacar diretamente o movimento que vinha sendo construído em prol de apoio a Suzy."

No final da nota, a ANTRA faz questionamentos sobre o direito da personagem à ressocialização e que por ela estar privada da sua liberdade ela então já estaria sendo punida como prevê o direito penal.

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