Sergio Moro entrará em "quarentena", mas não por causa do coronavírus. A Comissão de Ética da Presidência da República decidiu nesta terça-feira (2) que o ex-ministro da Justiça do Governo Jair Bolsonaro ficará proibido de trabalhar em advocacia por seis meses depois de sua demissão do Ministério.

Moro havia feito a consulta à Comissão sobre a possibilidade de entrar nesta "quarentena". A consulta foi analisada pelos membros do comitê, que decidiram por um período de restrição de atividades do ex-ministro.

Moro poderá escrever artigos

Durante os seis meses em que estará nesta restrição, o ex-ministro não poderá trabalhar na advocacia.

A restrição é usada em casos de pessoas que tiveram trabalhos com acesso a dados privilegiados do Governo e que deixam seus cargos.

Apesar da restrição, Moro seguirá recebendo salários do governo pelos seis meses que ficar na "quarentena". Até outubro, quando acabar a restrição, o ex-juiz terá direito a receber R$ 31 mil, que era seu salário quando ministro da Justiça e Segurança Pública.

A Comissão de Ética decidiu também por não restringir que Sergio Moro escreva artigos para a imprensa e ministre aulas. Nas consultas, apenas a que o ex-ministro pedia para contribuir com órgãos de imprensa não deve unanimidade de votos entre os membros da Comissão. Nesta votação, três dos membros votaram a favor e dois contra.

Mandetta também está em 'quarentena'

Sergio Moro não é apenas o único ex-ministro do governo Jair Bolsonaro a ter sua restrição de trabalho aprovada pelo Comitê de Ética. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recebeu na última semana uma restrição também de seis meses pelo colegiado, depois de deixar a pasta.

Os salários a que tinha direito pelo trabalho no ministério também serão pagos enquanto durar a restrição.

A única divergência entre a Comissão e Mandetta é que o ex-ministro manifestou o desejo de dar palestras e participar de consultorias. Este pedido foi inicialmente rejeitado, mas está sendo analisado em recurso.

Curiosamente, os dois ex-ministros deixaram o governo em forte atrito com o presidente Jair Bolsonaro, em especial por não concordar com medidas pedidas pelo presidente em meio à pandemia do coronavírus

Moro x Bolsonaro em 2022?

Segundo o jornalista Fausto Macedo, do Estadão, Moro e Mandetta têm possibilidades de poder disputar cargos políticos nas eleições de 2022, já que a popularidade de ambos cresceu desde o processo de saída do governo. O nome do ex-ministro da Justiça está sempre ligado a especulações sobre uma possível candidatura à Presidência da República.

Desde abril, Sergio Moro não faz mais parte do Ministério da Justiça, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na direção-geral da Polícia Federal.

Este inquérito ainda está em curso no Supremo Tribunal Federal.

No começo desta semana, o ex-ministro foi chamado de "covarde" pelo presidente por ter se recusado a permitir flexibilização de medidas de desarmamento da população e por resistir a não acatar pedidos para evitar medidas de punição a pessoas que não obedecessem quarentenas.

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