Considerado uma nova ameaça às crianças na internet, o chamado Homem Pateta é investigado pela Polícia Federal.

A suspensão das atividades escolares devido à pandemia do novo coronavírus tem deixado as crianças e adolescentes mais vulneráveis a conteúdos da web.

Homem Pateta

A primeira conta do Homem Pateta, que aparece vestindo uma máscara do personagem da Walt Disney, foi criada no ano de 2017, no México. Vários perfis podem ser encontrados nas redes com o mesmo título. De acordo com a Polícia Federal, nenhuma vítima do homem Pateta foi localizada no Brasil.

Segundo relatos, o homem estimula crianças a se mutilarem.

Desafios também são lançados pelo Homem Pateta que, após fornecer as instruções, pede para as crianças enviarem seu desempenho por vídeos, ligações ao vivo e mensagens de texto. Após receber os materiais das crianças, o Homem Pateta pede que as vítimas excluam tudo.

As autoridades trabalham para encontrar o dono do perfil.

De acordo com agentes da PF, existe um perfil nas redes sociais em nome de Jonatan Galindo, que seria o responsável pela divulgação e promoção dos vídeos.

Psiquiatria

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o psiquiatra Rodrigo Almeida de Ramos realizou uma avaliação da situação.

Segundo o especialista, os riscos para as crianças são limitados. Porém, no caso da automutilação, a prática pode originar problemas mais complexos, como a perda de controle da criança no mundo externo e interno.

Sobre o risco de tentativa de tirar a própria vida, Rodrigo afirma que para isso a pessoa deve estar doente de alguma forma. Os riscos geralmente estão ligados a depressão ou doença bipolar. Pessoas mentalmente saudáveis raramente se tornam presas de pessoas desconhecidas ou psicopatas.

O psiquiatra menciona a importância da presença dos pais na vida dos filhos, incluindo suas atividades nas redes.

Um adolescente, por exemplo, não tem sua capacidade de controlar impulsos completamente desenvolvida, e o acesso a materiais indevidos, onde não exista inteligência emocional suficiente para compreensão, pode resultar em ansiedade. Com a possibilidade de compartilhamento fácil de diversos conteúdos, esses assuntos vão tomando uma proporção enorme entre os grupos, podendo resultar em adolescentes vulneráveis.

"Tivemos recentemente o caso da boneca Momo que, embora tenha gerado um estado de alerta na sociedade, não refletiu em aumento de casos de automutilação", conclui o psiquiatra.

Pandemia

Em meio à pandemia do coronavírus, as recomendações do psiquiatra são a participação ativa dos pais e o controle de conteúdos acessados pelas crianças e adolescentes na web.

Segundo ele, caso as crianças apresentem comportamentos diferentes em meio ao isolamento, como automutilação, crises de choro, tentativas de tirar a própria vida ou conversas recorrentes sobre esses temas, os pais devem procurar imediatamente ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra.

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