Esporte pouco praticado por ser uma modalidade típica da Europa, a esgrima estampou notícias positivas nas principais publicações do Brasil durante esta semana.

Quase passou despercebido o campeonato mundial disputado em Budapeste, Hungria, se não fosse por um grande detalhe: pela primeira vez na história da esgrima brasileira, a atleta Nathalie Moellhausen subiu ao lugar mais alto do pódio. Uma façanha e tanto para um esporte pouco reconhecido e incentivado por aqui.

A esgrimista de origem italiana faturou a medalha de ouro na última quinta-feira (18), ao vencer a chinesa Sheng Lin na final.

Depois do término do embate, Nathalie comemorou muito a conquista e revelou que dedicava o título ao pai que morreu no ano passado.

Com 33 anos, não é a primeira vez que a atleta se destaca na esgrima. Na verdade, ela se naturalizou brasileira, após receber um convite em 2014. A partir de então, vem representando o Brasil na modalidade.

Trajetória

Nathalie nasceu na cidade de Milão e é neta de brasileiros; sua mãe é a estilista ítalo-brasileira Valéria Ferlini. O sobrenome vem do pai, de ascendência alemã.

Boa parte da vida esportiva de Nathalie aconteceu na Itália, país que defendeu até 2012. Dentro da realidade do esporte, o país europeu é considerado como um dos mais fortes.

Voltando a falar da esportista, ela ganhou três medalhas em campeonatos mundiais.

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Duas delas por equipe e uma pelo individual. Todos conquistados enquanto defendia a Itália.

Logo após a realização dos Jogos Olímpicos de Londres, ela perdeu espaço na equipe italiana e resolveu dar uma pausa na carreira esportiva.

Dois anos depois, veio o convite para representar o Brasil, o que para ela significava uma oportunidade. O laço com o país sul-americano começou desde cedo, quando mais nova, visitava a avó, que morava por aqui.

Por isso, não foi nada estranho que Nathalie se interessasse pela naturalização.

Quando voltou às quadras com a espada em mãos, estava fora do ranking, mas conseguiu um importante sétimo lugar para a esgrima brasileira nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Um ano antes foi medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá.

Importância sem tamanho

Antes de ser campeã em Budapeste, a esgrimista brasileira estava na posição de número 22 no ranking oficial.

Com a vitória, pulou para o quarto lugar. De quebra, Nathalie Moellhausen assegurou sua vaga para competir as Olimpíadas de Tóquio, no Japão, em 2020.

O próximo passo será a disputa dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, que se realizarão no mês que vem, agosto de 2019. Até lá, Nathalie prosseguirá seu treinamento em Paris. Sua meta no Peru é apenas uma: vencer.

Confissões

Abordada pela imprensa, a esgrimista sempre alimentou o desejo de se aproximar do Brasil de alguma forma.

Sobre o motivo de homenagear seu pai, Nathalie foi além e declarou que ele era o seu maior apoiador: “Ele sempre me disse que a vida é mágica. E me disse para nunca desistir na vida, que tudo é mágico. O que acontece é que eu nunca desisti porque queria mostrá-lo que eu conseguiria”.

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