No próximo dia 16 de junho, o Maracanã estará completando 70 anos, e o Fluminense tem relação íntima com a história do estádio. Primeiro dos quatro grandes clubes cariocas a ser fundado para a prática do futebol no Rio de Janeiro, o Tricolor das Laranjeiras disputou, ao todo, 1.746 partidas no palco da decisão da Copa do Mundo de 2014 e das cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas de 2016, obtendo 850 vitórias, 446 empates e sofrendo 450 derrotas.

Para celebrar essa intimidade, a Blasting News lembrará, nesta quinta-feira (11), de alguns dos grandes momentos vividos pelo Flu no popular Maraca.

A primeira vitória em um jogo internacional

No dia 20 de maio de 1951, quase um ano após a fundação do Maracanã, o Fluminense disputaria a sua primeira partida internacional no estádio. O adversário era o Arsenal, da Inglaterra, e o duelo soava como uma revanche para o Tricolor, pois, em 1949, ambos se enfrentaram no estádio de São Januário e, de forma impiedosa, os britânicos aplicaram uma goleada de 5 a 1.

Dessa vez, porém, o Flu foi mais eficiente e, diante de 44.164 torcedores, venceu o time de Londres pelo placar de 2 a 0. Joel e Orlando Pingo de Ouro garantiram o triunfo da agremiação das Laranjeiras.

O Fluminense foi a campo com a seguinte escalação: Castilho; Píndaro e Pinheiro; Pé de Valsa, Édson e Jair; Lino, Didi, Carlyle, Orlando Pingo de Ouro e Joel.

O técnico era o lendário Zezé Moreira.

O primeiro Fla-Flu, a gente nunca esquece

Ainda em 1951, no dia 14 de outubro, aconteceu o primeiro Fla-Flu da história do Maracanã e, no batismo daquele considerado o "Clássico Mais Charmoso do Brasil" no estádio, a sorte sorriu para os tricolores.

Com gol de Orlando de Pingo de Ouro, o Flu, pela fase única daquele Campeonato carioca, competição da qual se sagraria campeão, derrotou o Rubro-Negro por 1 a 0.

Sob a direção de Zezé Moreira, o Fluminense venceu o rival tendo Castilho; Píndaro e Pinheiro; Vítor, Édson e Jair; Telê, Didi, Carlyle, Orlando Pingo de Ouro e Joel.

O Maracanã e o mundo aos pés das Laranjeiras

Nos anos de 1951 e 1952, foi disputada a Copa Rio, considerado, por muitos, o Campeonato Mundial de Clubes daquela época, pois contava com os campeões nacionais de cada país.

Como não havia Campeonato Brasileiro, os vencedores do Rio e de São Paulo representavam o Brasil e, na segunda edição, o Fluminense era a equipe representante do futebol carioca. Por conta disso, jogou todos os seus compromissos da primeira fase no Maracanã.

Depois de um empate sem gols na estreia contra o Sporting Lisboa, de Portugal, o Tricolor avançou para a final com duas vitórias: 1 a 0 sobre o Grasshopers, da Suíça, e 3 a 0 sobre o Peñarol, equipe base da seleção uruguaia que, no mesmo Maracanã, diante de, aproximadamente, 200 mil presentes, ganhou a Copa do Mundo de 1950, derrotando, na final, o Brasil por 2 a 1.

Na decisão, o adversário da equipe das Laranjeiras era o outro representante brasileiro, o Corinthians.

Houve dois jogos, ambos no Maracanã, e, após vencer o primeiro confronto por 2 a 0 (gols de Orlando Pingo de Ouro e Marinho) e ficar no empate de 2 a 2 (gols de Didi e Marinho para o Tricolor, Jacson e Sousinha para o Alvinegro de Parque São Jorge), o Flu garantiu a taça do Mundial de Clubes da história do Fluminense, que busca, junto à FIFA, o reconhecimento da competição.

O tablado da Máquina de Francisco Horta

Em 1975, Francisco Horta assumia a presidência do Fluminense e iniciava um período mágico na sede de Àlvaro Chaves. Amante do futebol, o então mandatário, a base de criatividade e muita ousadia, montou aquele considerado o maior time da história do clube em termos de valores técnicos.

Com jogadores do quilate de Doval, Paulo César Caju, Dirceu, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Torres e o "monstro consagrado" Roberto Rivellino, estava formada a "Máquina Tricolor" dos anos 70, duas vezes campeã estadual (1975 e 1976), duas vezes semifinalistas de Campeonato Brasileiro e vários títulos internacionais.

Durante esse período glorioso, o Maracanã foi o palco preferido da exibição desse Fluminense. O estádio era considerado, pelo próprio Francisco Horta, como o principal tablado para o espetáculo verde, branco e grená.

Dentre alguns dos momentos especiais da "Máquina" no Maracanã, destaca-se o inesquecível gol de Rivellino em um clássico diante do Vasco pelo Estadual de 1975. Naquela ocasião, o camisa 10 do Tricolor, com o seu tradicional drible do "elástico", mandou a bola por debaixo das pernas do volante Alcyr Portella, driblou dois zagueiros na corridas e, frente a frente com o goleiro Andrada, deslocou o arqueiro vascaíno para estufar as redes.

Um tri-tri estadual e mais um Brasileirão nos anos 1980

Em 1970, com um empate de 1 a 1 diante do Atlético-MG, o Fluminense, com mais de 104 mil presentes, levantou, no Maracanã, o seu primeiro Campeonato Brasileiro. Quatorze anos depois, o estádio foi, novamente, o palco do segundo título nacional do Tricolor em novo empate. Contando com a presença de mais de 120 mil nas arquibancadas, sendo 55% de sua torcida, o clube das Laranjeiras, depois de ter vencido o jogo de ida por 1 a 0, gol de Romerito, segurou o 0 a 0 com o Vasco e levantou a taça.

A década de 1980, aliás, foi outro período marcante da relação entre Fluminense e Maracanã. Com famoso elenco de Romerito, Deley e a dupla Assis-Washington, o "Casal 20", o Tricolor, além do Brasileirão de 1984, ganhou três Campeonatos de forma consecutiva (1983-1984-1985), o terceiro tricampeonato estadual da história da agremiação verde, branco e grená.

Paulo Vítor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes, Branco, Jandir, Deley, Assis, Romerito, Washington, Tato, Renato (lateral-esquerdo), Renê, Leomir e Paulinho Carioca foram alguns dos protagonistas de mais uma linda história de amor envolvendo o bairro das Laranjeiras e o tradicional palco da Zona Norte do Rio de Janeiro.

Uma barriga de resgate em 1995

Depois das glórias dos anos 80, o Fluminense amargou dez anos de insucessos. Até que chegou 1995 e, com ele, o resgate do caso de amor com o Maracanã. Comandado por Renato Gaúcho (atual técnico do Grêmio), o Tricolor, desacreditado, mostrou que jamais se brinca com um gigante do futebol brasileiro e, quebrando todos os prognósticos, encerrou o seu jejum, tendo, claro, como palco, o mais famoso estádio do mundo.

O final não poderia ser mais apoteótico. Pela última rodada da fase octogonal daquele Campeonato Carioca, um Fla-Flu. O Rubro-Negro completava, em 1995, cem anos e havia investido muito em contratações, sendo, a principal delas, Romário. Para complicar ainda mais a situação, o clube da Gávea jogava por um empate.

Depois de um primeiro tempo brilhante e abrir 2 a 0, o Fluminense viu o Flamengo igualar o clássico e teve dois jogadores expulsos. Quando tudo levava a crer que tudo estava perdido, eis que surge barriga de Renato Gaúcho para empurrar a bola e balançar as redes flamenguistas.

Chovia bastante naquele 25 de junho de 1995. Muitos dizem que eram as "lágrimas de esguicho" de Nélson Rodrigues, famoso escritor, dramaturgo e tricolor apaixonado, falecido em 1980, para brindar o resgate do amor interrompido entre duas das maiores simbologias do Rio de Janeiro: Fluminense e Maracanã.

Desde 2013, o Maracanã deixou de ser gerido pelo Governo Estadual do Rio e passou para a administração privada. Atualmente, o Fluminense divide com o Flamengo a gestão do estádio.

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