Ao fim do ano de 2018, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi perguntando em entrevista o que ele esperava para o Governo do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, FHC se limitou à dizer que era necessário aguardar as ações do presidente para avaliar se suas ressalvas quanto ao mandatário recém eleito iriam se confirmar no decorrer dos meses de seu governo. Após três meses da administração de governo, o ex-presidente já consegue opinar a respeito do que está vendo.

Em entrevista à BBC News Brasil, FHC é categórico e classifica o governo de Bolsonaro como pior do que ele esperava que poderia ser.

O sociólogo afirmou que não viu nada até agora sendo feito pelo atual presidente.

FHC analisou a eleição de Bolsonaro e foi firme em apontar que o presidente foi eleito porque em sua campanha apontou temas sensíveis para a população, como a violência e a corrupção. Mas relembra que o presidente, em momento algum, teria afirmado como iria realizar os projetos para o Brasil. "Mas ele não disse "eu vou fazer um Brasil de tal a qual modo". Tanto que agora ele não sabe o que vai fazer. Vai mudar o quê?" explicou.

A respeito da nova gestão, FHC a classificou como estando sem um sentido certo. Para ele, as falhas do governo são inúmeras, como a falta de projetos para o país, melhorar a relação com o Congresso e até mesmo como se comunicar com a população brasileira para que as medidas tomadas pelo governo sejam explicadas aos maiores interessados, o povo brasileiro.

Um exemplo seria a reforma da Previdência, que deveria ser informada a população. FHC relembra os seus dias de ministro, quando foi liderança para articular a favor da aprovação do Plano Real, em que teria ido até o programa do apresentador Silvio Santos para falar a respeito. De forma firme, diz que o presidente deve tomar as rédeas desta situação, ou ao menos algum ministro deveria.

A respeito do ministro da Economia Paulo Guedes, FHC abre críticas sobre o tom em que ele falou com os parlamentares nos dois momentos em que foi até o Congresso para tratar de assuntos relacionados a Previdência. Ele conta que, ao ouvir o debate no Senado, o ministro falava a respeito dos assuntos de forma bastante abstrata, e ao chegar na parte política, se esquivava dizendo não ser sua área.

Vida após presidência

O ex-presidente, que está afastado das atividades do PSDB desde que deixou o cargo de presidente da República, no momento ainda mantém contato com companheiros de partido. Atualmente, os contatos mais comuns de FHC, são o ex-governador Geraldo Alckmin e os senadores Tasso Jereissati e José Serra. Fernando Henrique também afirmou que, raramente, tem contato também com o governador de São Paulo, João Dória.

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